Nas últimas semanas acompanho, com estarrecedor espanto, o delírio coletivo que se instalou em Bauru, mormente entre alguns cidadãos, com relação à campanha “xixi no banho”, proposta por um vereador. A idéia era a de racionalizar o uso dos recursos hídricos. De início reputo louvável a ação do nobre edil, ainda mais pela ousadia temática. Com maior acidez que o inocente xixi, as críticas são risíveis. Alguns acham que é para tomar banho toda vez que for ao banheiro. Outros sugerem que o gasto de produtos químicos contra desinfecção do box geraria despesas extras. Há aqueles que sugerem um dano maior ao meio ambiente pelos “diversos produtos” químicos que serão jogados no ralo. Parece-me que falta, apenas, a teoria do xixi radioativo, com altas doses de Plutônio.
Considerando que, além de estéril, a urina é composta de 98% água, o que sobra é uma quantidade irrisória de elementos químicos que, se não nos fazem bem quando presentes no sangue, é biodegradável no meio ambiente. Logo, apenas a água do banho normal é suficiente para essa “desintoxicação” do box, lavando as paredes ou o piso. Além disso, nenhum azulejo será desintegrado se 0,02% de uréia ou amônia ficar no seu espaço intra-molecular. Não é demais lembrar que, na China, por lei as descargas devem ser dadas apenas com resíduos sólidos. A falta de água é tamanha que o Estado precisou intervir, determinando que se acumule urina no sanitário antes de uma nova descarga ser efetuada. Enquanto não se levar a sério o problema hídrico idéias como a do edil bauruense serão levadas na brincadeira. Infelizmente.
Ivan Goffi