08 de julho de 2026
Ser

Renovação é fundamental para relacionamento duradouro

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 4 min

Engana-se quem pensa que existe receita para uma união duradoura ou que a harmonia eterna é o caminho para uma vida conjugal feliz. Para a médica psiquiatra e membro fundadora da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica (SBPA) Iraci Galias, o único segredo de uma união bem-sucedida é a renovação contínua do relacionamento.

Mas isso exige alguns cuidados e preocupações que são esquecidos no dia-a-dia do casal. O importante é se descobrir e descobrir o novo ou a nova mulher que vive ao seu lado, em vez de sair por aí tentando encontrar um novo e interessante par.

De tempos em tempos é preciso voltar a namorar, voltar a cortejar, voltar a se seduzir e ser seduzido. “Não digo que isso é um segredo, pois acredito que não existe dica. Qualquer relação humana é trabalhosa e deve ser construída. O importante é reconstruir, as duas pessoas precisam se desenvolver e encontrar a própria identidade para que as coisas continuem rolando”, explica Iraci, que também é membro da International Association for Analytical Psychology.

Segundo ela, o relacionamento amoroso geralmente começa com uma paixão que depois se transforma em amor. “Mas para um relacionamento longo, sem acomodações, é necessário os ‘reapaixonamentos’ pela mesma pessoa. Para isso acontecer, é preciso que cada um se conheça melhor”, revela a médica psiquiatra.

Felicidade

Porém, cuidado. Nem sempre um relacionamento duradouro, comuns décadas atrás, significa felicidade e satisfação. Iraci observa que, antigamente, existiam muitas relações por acomodação. “Não havia o divórcio e a mulher dependia financeiramente, emocionalmente do marido. Então, os dois ficavam atados a um relacionamento que já estava morto por falta de oportunidade”, diz.

“Com o advento do divórcio, com a ida da mulher ao mercado de trabalho, entre outras modificações, os relacionamentos mudaram. Hoje, espera-se muito de uma relação entre homem e mulher”, acrescenta.

Com tantas novidades, Iraci alerta os casais para que a relação não seja banalizada. “Com os namoricos, o ficar, as relações ficaram descartáveis. Usadas de forma errada, esses relacionamentos não servem para nada, são evasivos e superficiais. Mas, se utilizados de forma correta, essa maior liberdade pode ser usada para adquirir experiência e se auto-conhecer”, explica.

Um parceiro não é escolhido apenas com a “cabeça da razão”. Iraci afirma que existem “três cabeças” no relacionamento: a humana, o coração e a sexualidade. “Às vezes a pessoa tem a sorte das três andarem juntas, mas muitas vezes a cabeça humana elege um par ideal e a cabeça do coração e da sexualidade vão para lados totalmente opostos. E o coração e a sexualidade facilmente mudam de idéia”, destaca.

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Paixão é importante, mas acaba

A médica psiquiatra Iraci Galias explica que na maioria das vezes o relacionamento começa com a paixão, um sentimento considerado intenso que consome a pessoa. “Ainda se discute se a paixão é loucura ou doença. Não acho que seja. Mas a paixão é um momento em que a pessoa fica totalmente tomada por um único objetivo, a fusão com o parceiro”, explica.

“Mas ela acaba. Ainda bem, porque senão nós humanos ficaríamos loucos. Quando chega ao fim, o sentimento pode deixar como herança o amor. É aí que entram os relacionamentos duradouros, ou pode acabar e não deixar nada”, complementa.

Segundo Iraci, os relacionamentos com paixões avassaladoras são importantes para as pessoas crescerem e se desenvolverem.

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Relações amorosas pedem socorro

Criado há 20 anos, o Instituto de Psicologia Junguiana de Bauru tem como objetivo estudar a psicologia à luz das teorias do psiquiatra suíço Carl Gustav Jung. A escola se dedica ao entendimento das forças inconscientes que movem o ser humano. A cada dois anos, os profissionais do instituto realizam uma jornada de psicologia.

Neste ano, o assunto em pauta foram os relacionamentos afetivos. “Tiramos uma média pelo que está acontecendo nos nossos consultórios, nas clínicas institucionais. Percebemos que o relacionamento entre as pessoas tem sido problema”, explica a diretora do instituto e uma das organizadoras do evento, Regina Paganini Furigo.

“Muitas vezes pensamos que somos donos da nossa vontade, mas na verdade, somos comandadas pelas forças inconscientes da nossa mente”, acrescenta.

A jornada, realizada nos dias 19 e 20 deste mês, reuniu 200 profissionais e estudantes da psicologia junguiana de todo o Estado.