09 de julho de 2026
Bairros

A pé ou de bicicleta: difícil missão

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Faz muito tempo que andar a pé ou de bicicleta pelas ruas da cidade se tornou um desafio e tanto. O problema não está somente na área central ou em vias que registram maior movimento. Basta um pequeno passeio pela cidade e pronto: já é possível encontrar pedestres circulando pelas ruas, carros e sobras de materiais de construção sobre as calçadas, enquanto as bicicletas seguem espremidas, disputando espaço entre carros e caminhões.

Nunca é demais lembrar que lugar de pedestre é na calçada, de que os carros devem circular ou ficar estacionados na rua e o os ciclistas, nas chamadas ciclovias. O problema, então, é que a maior parte das calçadas de alguns bairros se encontra intransitável ou elas simplesmente não existem. A cidade possui o pífio número de quatro ciclovias, sendo a maior parte em péssimas condições. A que liga o Núcleo Otávio Rasi aos distritos industriais 1 e 2 é um bom exemplo dessa precariedade, já que servem apenas para a prática de exercícios físicos.

Sendo assim, pedestres e ciclistas disputam cada espaço com carros, caminhões e motos pelas ruas de Bauru. O resultado é o aumento crescente do número de acidentes envolvendo ciclistas e atropelamentos de pedestres pela ruas da cidade.

A maior parte dos bauruenses que utilizam a bicicleta, seja para o trabalho ou para o lazer, relata ter sofrido algum tipo de acidente de trânsito; alguns mais graves e outros apenas com danos materiais.

Os trabalhadores que residem nos bairros mais afastados do Centro da cidade são os que mais utilizam a bicicleta como meio de transporte diário. Alguns chegam a percorrer quilômetros e atravessam diversos bairros para chegar ao seu local de trabalho. Outros se arriscam ainda mais e circulam pelo acostamento das rodovias se expondo a um perigo constante.

Essas pessoas fazem da bicicleta não só seu veículo de trabalho, mas também a utilizam para levar os filhos pequenos até a escola ou para ir ao supermercado. Uma realidade diferente da encontrada na área central de Bauru está nos bairros periféricos. Nesses locais, a bicicleta é para muitos o único meio de locomoção disponível quando se retira o transporte público.

José Vitório, morador do Jardim Carolina, conta que usa sua bicicleta para quase tudo, inclusive para o trabalho, e que já foi vítima da falta de um espaço para as bicicletas na cidade. “Nem os motoqueiros e nem quem conduz os carros respeita quem está à sua frente de bicicleta”, conclui.

Vitório conta que há cerca de seis meses foi atropelado quando estava na calçada por um motorista que, em alta velocidade, se viu obrigado a desviar de outro veículo. “Além dos ferimentos que tive, paguei ainda o conserto da bicicleta. Não tem lei pra isso, né?”, questiona.

Se quem anda de bicicleta pelas ruas da cidade não tem muita alternativa, quem circula a pé fica por conta da vontade de cada morador. Às vezes é a falta de calçadas, outras vezes a má conservação delas é que obriga os pedestres a circularem pela ruas. A também moradora do Jardim Carolina, Lucilene Lazzarini foi encontrada pela reportagem do JC nos Bairros andando próximo ao meio fio da rua João Esteves de Souza. Ela disse que em algumas ruas do bairro o morador não tem alternativa. “É só olhar em volta. Quantas calçadas existem e quantas estão em condições de andar?”, justificou.

Eduardo Viera de Araújo, carteiro há 12 anos, diz que é impossível andar apenas pelas calçadas na maior parte dos bairros da cidade. Ele defende que haja uma padronização das calçadas para facilitar a vida dos pedestres. “Metade do meu trabalho consigo fazer pelo passeio público, a outra metade, infelizmente, preciso fazer andando pela rua”, relata.