08 de julho de 2026
Bairros

Número de atropelamentos assusta em 2009

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Só neste ano, de acordo com dados oficiais do Pelotão de Trânsito de Bauru, 11 pessoas perderam a vida ao serem atropeladas pelas ruas de Bauru. Este número já significa mais que o dobro dos óbitos registrados no ano passado, quando cinco pessoas atropeladas perderam a vida. Nos 12 meses de 2007 foram registrados oito óbitos nessas circunstâncias.

Os pedestres reclamam das condições do passeio público, da utilização dele para depósito de materiais de construção e da falta de calçadas principalmente nos bairros.

O tenente Jorge Luis Dias, comandante do Pelotão de Trânsito, cobra mais atenção dos pedestres. De acordo com ele, quase a metade dos atropelamentos que resultaram em vítimas fatais aconteceram em vias de tráfego intenso, na chamada região central da cidade.

“Nesses locais, os pedestres precisam prestar mais atenção. Em geral, as condições do passeio público nessas áreas também são aceitáveis”, completa. De acordo com o comandante, quando um pedestre precisar andar pelo meio fio, mesmo que seja por um trajeto curto, é preciso atenção redobrada.

Neusa Félix Lopes, doméstica, conta que todo dia anda cerca de dois quilômetros até um segundo trabalho. Ela conta que, pela manhã, desce do coletivo quase na porta do emprego, mas para se deslocar até seu segundo local de trabalho no período da tarde, prefere ir a pé para economizar.

Com medo de ser atropelada, ela conta que sempre opta por andar na calçada inversa ao fluxo de veículos. “Caso seja preciso descer na rua, por um motivo ou por outro como já aconteceu várias vezes, fico de frente para os veículos e não corro o risco de ser pega de surpresa”, conta.

Não é só a falta de calçada que torna a vida do pedestre em Bauru uma verdadeira maratona, mas as condições de conservação e falta de padronização colaboram e muito. O código de obras utilizado pela Secretaria de Planejamento (Seplan) é antigo, criado em 1982, na administração do ex-prefeito Osvaldo Sbeghen.

Passeio público

A falta de padronização do passeio público impede, por exemplo, que mães possam conduzir os carrinhos de bebê com segurança. O problema é maior na área residencial, mas não deixa de existir também nos chamados corredores comerciais da área central. Dessa maneira, não é difícil encontrar mães e filhos dividindo espaço com carros e motos pelas ruas e avenidas de bairros da cidade.

Se a acessibilidade para cadeirantes e deficientes físicos em Bauru ainda é apenas uma palavra, as condições para ir e vir para quem não tem nenhum tipo de deficiência também não são das melhores.

Em apenas um quarteirão do Parque Arlindo Viana, conhecido como Bauru 22, é possível encontrar três calçadas construídas em níveis diferentes que se tornam um verdadeiro obstáculo para quem precisa empurrar um carrinho de bebê.

A situação não é diferente nos demais bairros visitados, como Jardim Carolina e Bela Vista, Núcleo Habitacional Geisel, Mary Dota e Chapadão.

No Chapadão, além do problema da falta de uniformidade do passeio público, a maior parte das calçadas é estreita, dificultando ainda mais a passagem dos pedestres. Isabel Cristina Vieira reclama das condições das calçadas. “Na maior parte das calçadas do bairro você precisa andar pelas ruas, já até me acostumei”, ironiza.

Pela lei, o proprietário do imóvel é o responsável por construir o passeio público em frente à sua residência ou comércio. Na Zona Estritamente Comercial (ZEC), a calçada precisa ser revestida com ladrilhos ou lajotas. Nas demais construções a calçada precisa ser revestida pelo menos com cimento em toda sua extensão e largura.