10 de julho de 2026
Política

Brasília discute as relações raciais


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Brasília tornou-se, por quatro dias, o centro das discussões sobre políticas para um País mais justo, sob o ponto de vista das relações étnico-raciais. A 2.ª Conferência Nacional de Igualdade Racial (Conapir), que terminou ontem, reuniu 1,500 pessoas. Estiveram presentes delegados do poder público e da sociedade civil, além de convidados, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

A região de Bauru esteve representada pelos delegados Ademir Elias, Suzi da Silva, Paulo Roberto Amaral e a jornalista Kelly Tatiane Quirino, convidada da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial (Seppir). Também estiveram no evento cinco delegados e um convidado da secretaria, representando Bariri, Jaú, Lins, Lupércio e Pederneiras.

O desafio do grupo é absorver o conteúdo de algumas das centenas de propostas discutidas nas conferencias regional, estadual e agora a nacional, além de sugerir a implementação nos municípios.

Nos painéis e grupos de trabalho, o poder público e os movimentos sociais debateram temas, da titulação de terras quilombolas até cotas no ensino superior, passando pelo respeito às religiões de matrizes africanas, programas de saúde específicos para a população negra e o combate ao racismo institucional. No “Painel de Políticas Internacionais”, destaque para as presenças do vice-presidente da Organização das Nações Unidas (ONU) na Nigéria, Martin Uhomoibhi, e do presidente da União dos Países Africanos, Adama Samassekou, do Mali. Ambos elogiaram o presidente Lula pela implementação de políticas de promoção da igualdade racial e o estreitamento de relações com a África.

Demandas específicas dos povos indígenas e de etnia cigana também foram debatidas na 2.ª Conapir. A conferência tem seis eixos centrais: Terra; Educação; Trabalho e Renda; Segurança e Justiça; Saúde e Políticas Internacionais.

Funcionários da ONU, montaram um gabinete itinerante no centro de convenções, especialmente para ouvir e dar encaminhamento às reivindicações dos participantes.

Como é praxe em eventos de repercussão internacional, todos os grupos étnicos envolvidos promoveram manifestações. A mais original foi a de um palestino solitário, que montou acampamento em frente ao centro de convenções e, nos quatro dias, ficou em cima de um caminhão de som, que tocava músicas e exibia discursos com palavras de ordem contra Israel. Ele pedia a desocupação da Faixa de Gaza.

Na abertura, estiveram presentes vários ministros. Lula, que faria a abertura de honra, foi a grande ausência. A festa teve como mestre-de-cerimônia a atriz Isabel Fillardis e foi prestigiada por artistas como Netinho de Paula, Leci Brandão e Nelson Sargento.