Antecipando as comemorações do Dia Estadual da Saúde do Coração, a Regional da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo realizou, no final de semana, palestra para cerca de 20 médicos enfocando o tabagismo como o principal fator de risco para as doenças cardiovasculares.
O cardiologista Christiano Barros, presidente da regional da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, lembra que o hábito de fumar pode diminuir em até dez anos, em média, o tempo de vida de um indivíduo. “De todas as causas de óbito no Brasil, de cada dez, seis tem o tabagismo como um fator de risco independente importante. Então, é algo que precisamos combater”, comenta.
Barros ressalta que as doenças cardiovasculares são as que mais matam em todo o mundo. “E no Brasil não é diferente”, diz. Segundo o cardiologista, apesar de não ser possível mudar a carga genética (que é transmitida pelos genes dos pais), é perfeitamente possível evitar ou controlar as doenças cardiovasculares através da mudança do hábito de vida. “Ninguém está imune aos problemas cardiovasculares, daí a importância de se ter uma vida saudável”, diz.
Segundo o Instituto do Coração (Incor) do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP, os pacientes infartados com 50 anos ou menos, nos últimos 10 anos, representam cerca de 14% dos atendimentos feito pela instituição.
O cardiologista e diretor da Unidade Clínica de Coronariopatias Agudas do Incor, José Carlos Nicolau, explica que o infarto é a causa mais comum de parada cardíaca na população. “Além de fazer com que o sangue circule pelo corpo, o coração também precisa de sangue para o próprio funcionamento. Quando há obstrução de um vaso que alimenta o órgão, a região relacionada a esse vaso pode vir a morrer. Isso é o infarto do miocárdio (do coração)”, explica.
De 3.439 infartados atendidos no Incor nos últimos dez anos, 479 tinham 50 anos ou menos. O especialista lembra que quando há uma parada cardíaca, é fundamental que haja atendimento rápido. “Em alguns casos, é possível reverter o quadro. Quando o atendimento é feito prontamente, diminuem-se os riscos de lesão cerebral”, informa.
Além do infarto, há outras diversas causas que podem levar à parada cardíaca, como insuficiência cardíaca em fase terminal, embolia pulmonar, arritmia cardíaca congênita, entre outras.
O Dia Estadual da Saúde do Coração foi instituído no ano passado, pela Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, que decretou a data de comemoração para o dia 29 de junho.