09 de julho de 2026
Esportes

Copa do Brasil: Ronaldo critica concentração

Marcel Rizzo
| Tempo de leitura: 3 min

Estava tudo em paz em Curitiba, mas Ronaldo conseguiu com uma única entrevista agitar o ambiente corintiano para a véspera da decisão contra o Internacional. Ao responder ontem uma pergunta sobre se ficaria feliz em conquistar no Brasil o primeiro título de uma competição nacional - até hoje foram dois estaduais -, ele surpreendeu ao criticar o tempo que ficou em regime de concentração desde que chegou ao Corinthians, em dezembro.

“O título da Copa do Brasil é importante também porque vai nos dar tranqüilidade para o segundo semestre. Espero que, com isso, diminua o tempo de concentração. Em seis meses este ano, acho que ficamos três concentrados. Nem temos mais brincadeiras para fazer”, comentou Ronaldo. A declaração de Ronaldo irritou o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, que não acompanhou a entrevista do jogador concedida no hotel em que a delegação corintiana está concentrada em Curitiba, mas estava no lobby e ficou sabendo do ocorrido poucos minutos depois. Ele tentou disfarçar a irritação em um primeiro momento. “É opinião dele. Qualquer um pode dar opinião”, disse o dirigente, que, logo depois, resmungou a um amigo. “Só faltava essa agora. Não pode ficar tudo tranqüilo.”

Ronaldo não falaria algo assim, dias antes de uma final importante, se o descontentamento não fosse geral. Hoje, ele é uma espécie de porta-voz dos jogadores do elenco. O Corinthians concentra, em média, um dia a mais do que os rivais de São Paulo. São dois dias antes de algumas partidas, contra um de Palmeiras, Santos e São Paulo.

Somente em Itu, cidade do interior paulista onde normalmente é realizada a pré-temporada corintiana, o técnico Mano Menezes levou seu elenco três vezes neste ano: na pré-temporada em janeiro, antes da primeira semifinal contra o São Paulo e na semana anterior ao duelo de ida contra o Internacional na Copa do Brasil.

Nesta véspera de decisão de Copa do Brasil, que acontece na quarta-feira, em Porto Alegre, os jogadores do Corinthians estão concentrados desde a última sexta, quando viajaram para Curitiba, onde no sábado os reservas perderam por 1 a 0 para o Atlético-PR, pelo Brasileirão. “É muito tempo concentrado, sem ficar com a família. Eu gostaria de passar mais tempo em casa no segundo semestre. Na Europa não existe isso. O Barcelona, campeão da Liga dos Campeões, se apresentava no dia do jogo. Só na final precisou chegar um dia antes porque a Uefa quem mandou”, lembrou Ronaldo.

Ronaldo fez questão de isentar os companheiros da reclamação. “Falo por mim. Nem é uma sugestão. Quem decide isso é o técnico, a diretoria. E não vou querer privilégios”, garantiu o atacante. Mas o recado já estava dado.

Morais

Sem alarde, o meia Morais não voltou a São Paulo com outros oito jogadores do Corinthians que deixaram Curitiba - a delegação corintiana contava com 29 atletas por causa do jogo contra o Atlético-PR, no sábado passado, pelo Brasileirão, quando um time todo reserva foi a campo e perdeu por 1 a 0. Assim, ele viaja hoje com o restante do elenco para Porto Alegre, onde acontece na quarta a final da Copa do Brasil.

A princípio, Morais voltaria para São Paulo porque não tem condições jurídicas de jogo na quarta-feira, já que fez um novo contrato com o Corinthians e não estaria inscrito na Copa do Brasil. A diretoria corintiana, analisando o regulamento da competição, concluiu que ele estava impossibilitado de atuar. A questão é que o Internacional, que tem o lateral Bolívar na mesma situação, informou a jornalistas gaúchos que consultou a CBF e que o seu atleta poderá atuar na final. Diante disso, a diretoria corintiana resolveu manter Morais no grupo. Assim, se o Inter arriscar e escalar Bolívar, é provável que Morais fique no banco de reservas como opção para o técnico Mano Menezes.