08 de julho de 2026
Internacional

Kirchner perde controle do Congresso

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Buenos Aires - A presidente da Argentina, Cristina Kirchner, sofreu uma dura derrota nas eleições legislativas deste domingo na Argentina. Com mais de 96% das urnas apuradas, o partido governista, presidido pelo ex-presidente e candidato a deputado Néstor Kirchner, perdeu nos cinco maiores distritos do país. Com cerca de 30% dos votos, o governo de Cristina perde 22 deputados, segundo cálculos do jornal argentino “Clarín”, e pode ficar sem governabilidade no Congresso.

A derrota foi minimizada por Nestor Kirchner, que disse fazer parte do “jogo democrático”. Contudo, analistas classificam a derrota como um alerta de popularidade para Cristina Kirchner e o fortalecimento dos opositores como favoritos para ganhar a presidência do país em 2011.

Segundo a Junta Eleitoral, o revés mais duro aconteceu na Província de Buenos Aires, a mais importante do país, onde o partido de Kirchner obteve 32,12% dos votos contra 34,57% da União-Pro, do principal candidato da oposição, Francisco De Narváez.

O partido Acordo Cívico e Social, dos social-democratas e liberais, obteve 21,47% e o partido de centro-esquerda Novo Encontro, 5,56%.

O tropeço pode deixar Kirchner, um político que governou a Argentina com um estilo áspero e confrontador entre 2003 e 2007, fora da corrida para as eleições presidenciais de 2011. O ex-mandatário, considerado por muitos quem ostenta o real poder no governo de sua mulher, reconheceu a derrota com um pouco usual tom conciliador e disse que o país tem um novo marco político.

Mudanças

Os candidatos do governo caíram nos cinco principais distritos do país por população e poder econômico: a Província e a cidade de Buenos Aires, Córdoba, Santa Fé e Mendoza. O Acordo Cívico e Social, uma força de centro, converteu-se no maior agrupamento opositor não-peronista e terá o maior bloco de deputados em âmbito nacional.

Carlos Reutermann, um ex-piloto de Fórmula 1 que desafiou o candidato governista em Santa Fé, foi outro dos vencedores do dia e aparece no horizonte como presidenciável pelo peronismo, já que a liderança dos Kirchner ficou muito debilitada.

Quase 28 milhões de argentinos estiveram habilitados a votar nas eleições que renovaram a metade da Câmara dos Deputados e um terço do Senado. As projeções indicavam um retrocesso governista de até 18 cadeiras na Câmara baixa e a perda de quatro cadeiras no Senado, o que faria desaparecer as maiorias com as quais até o momento contava o governo em ambas as casas para aprovar seus projetos.

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Ex-presidente renuncia à liderança do peronismo

Buenos Aires - O ex-presidente da Argentina Néstor Kirchner renunciou ontem à liderança do Partido Justicialista, de herança peronista, após a derrota do partido governista nas eleições legislativas de anteontem. Kirchner anunciou sua saída de forma “indeclinável” durante uma reunião com dirigentes do partido, segundo a agência oficial de notícias argentina Télam.

O ex-presidente pediu ao governador da Província de Buenos Aires, Daniel Scioli -líder peronista aliado ao governo - que “assuma o desafio de levar adiante a condução partidária” do peronismo, informou a Telam. Scioli deve assim assumir a tarefa de reorganizar o partido, afetado por divergências internas e a criação de diversos partidos de oposição por peronistas dissidentes.

Segundo o jornal argentino “Clarín”, Kirchner deve anunciar oficialmente sua renúncia em uma mensagem gravada e divulgada à imprensa.

A publicação afirma ainda que Kirchner pediu ao governador e a seu vice, Alberto Balestrini, que convoquem outros governadores e até mesmo De Narváez, peronista dissidente, para conversar sobre o reordenamento do PJ.