09 de julho de 2026
Polícia

Em 1 mês, PM revidou tiros 5 vezes

Por Lígia Ligabue | Com Juliana Franco
| Tempo de leitura: 5 min

Policiais militares de Bauru participaram de cinco confrontos contra suspeitos de crimes nas últimas quatro semanas. Nas trocas de tiros, dois suspeitos ficaram feridos e outros dois foram mortos. Alexandre Brancaglion Dias, 21 anos, foi o segundo homem em um mês a morrer depois de disparar contra policiais. Ele participou do roubo a uma clínica médica no Jardim Dona Sarah, no final da noite de anteontem, crime noticiado com exclusividade pelo Jornal da Cidade, na edição de ontem. Ao tentar fugir, Dias disparou contra os policiais, que revidaram. Ele foi alvejado no tórax e no abdômen e morreu antes de chegar ao Pronto-Socorro Central (PSC).

De acordo com o tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI), as investidas contra policiais aumentaram. “Os agressores estão mais ousados e não medem as conseqüências de seus atos. Eles não têm receio da força legal do Estado”, pondera.

Para o comandante, os policiais devem permanecer atentos a esse aumento de agressividade. “É evidente que essa ousadia pode gerar mais confrontos e até resultar num policial alvejado. Dessa forma, redobramos as nossas medidas de segurança”, ressalta.

Segundo Meira, nos casos em que policiais envolveram-se em ocorrência com tiros, os comandantes das companhias foram convocados. “Nos reunimos com capitães e tenentes para que eles repassem as instruções até chegar ao policial que atua na rua. Nossa principal orientação é que a arma deve ser empregada no estrito cumprimento da lei”, destaca o comandante.

O tenente-coronel explica que todos os policiais que se envolvem em situações de risco passam por avaliações psicológicas (leia mais ao lado). É o profissional quem decide se o policial pode voltar ao trabalho ou deve ser afastado para acompanhamento.

O roubo

De acordo com Meira, por volta das 21h de anteontem, no momento que a clínica encerrava o expediente, três ladrões, um deles armado de revólver, aproveitaram para entrar na garagem do estabelecimento. Eles fecharam a porta da frente e renderam os quatro funcionários que estavam no local. Pelas imagens da câmera de segurança, a polícia identificou Dias como sendo o assaltante que portava a arma.

Os funcionários foram obrigados a permanecer deitados no chão em um dos cômodos do estabelecimento, enquanto os assaltantes subtraíam seus pertences e equipamentos eletrônicos da clínica. Entre os objetos roubados estão aparelho de som, folhas de cheque, computadores, monitores de LCD, suprimentos de informática, telefones fixos, seis aparelhos celulares, R$ 142,00 em dinheiro e um anel pertencente a uma das vítimas. A mercadoria foi colocada em um Uno da empresa, que possuía a logomarca da clínica estampada, e foi usado para a fuga dos assaltantes.

As vítimas acionaram a PM e a comunicação do crime foi divulgada pela rede policial. Uma equipe que se dirigia a uma ocorrência no Ferradura Mirim acabou avistando o veículo da clínica, que seguia pela rua Jorge Schneider Filho.

Os policiais desligaram as lanternas da viatura e passaram a acompanhar o veículo e comunicaram a localização do grupo à rede da PM. Quando os assaltantes perceberam que eram seguidos, tentaram fugir.

Eles se dirigiram ao Jardim Tangarás e, após percorrerem algumas ruas do bairro, voltaram ao Ferradura Mirim, onde foram interceptados na José Aurélio Gaido. O condutor do veículo, Arnaldo Aparecido Bacci Júnior, 21 anos, foi detido no local. Os outros dois ocupantes fugiram em direção a um matagal. De acordo com o tenente-coronel Meira, Dias, que possuía antecedentes criminais, seguiu rumo ao Mosteiro da Imaculada Conceição e São José.

Dois policiais partiram ao seu encalço e ele, ao perceber que era perseguido, atirou. Os policiais revidaram e o atingiram no peito e no abdômen. Ele foi encontrado ainda com vida e socorrido em uma viatura da Força Tática, que participava da ação. Porém, Dias não resistiu aos ferimentos e morreu antes de chegar ao Pronto-Socorro Central. Com ele, foi localizado um revólver calibre 38, com a numeração raspada, além de um celular, R$ 142,00 e um anel, todos reconhecidos pelas vítimas como sendo produtos do roubo.

O terceiro assaltante fugiu em direção ao Jardim Tangarás e, até o encerramento desta edição, não tinha sido localizado. Ele foi identificado apenas como Erivelton.

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Policiais envolvidos na morte de ladrão passarão por testes psicológicos

Os dois policiais militares que participaram da troca de tiro com os assaltantes que roubaram a clínica médica localizada na esquina da rua Alípio dos Santos com a alameda Octávio Pinheiro Brisolla, no Jardim Dona Sarah, no final da noite de anteontem, passarão por testes psicológicos, segundo o tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante 4.º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4.º BPMI). Durante a troca de tiros, Alexandre Brancaglion Dias, 21 anos, foi morto na favela do Ferradura Mirim.

Um segundo acusado, Arnaldo Aparecido Bacci Júnior, 21 anos, está preso, e um terceiro envolvido, identificado apenas como Erivelton, está foragido. Para Meira, o uso de drogas é um dos fatores que contribui para o aumento de ocorrências de furtos e roubos praticados por jovens.

O tenente-coronel explica que essas pessoas precisam constantemente de dinheiro e meios de se manterem no vício e o caminho mais fácil é o roubo.

Os dois policiais estavam de folga ontem e serão apresentados hoje. De acordo com Meira, eles serão encaminhados à Universidade Estadual Paulista (Unesp) câmpus de Assis, com quem a PM mantém convênio, para a realização dos exames psicológicos. “Dependendo do resultado, eles retornam às atividades”, afirma.