09 de julho de 2026
Política

Emdurb terá velório para os carentes

Monise Centurion
| Tempo de leitura: 3 min

Famílias carentes de Bauru vão poder velar seus mortos em uma sala do Cemitério do Cristo Rei sem custos, até o final do ano. O benefício, solicitado pelo vereador José Roberto Segalla (DEM), será incluído no pacote de funeral assistencial da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural (Emdurb), pago pela prefeitura do município.

“Recebi a solicitação de uma munícipe, que me convidou para conhecer o problema. A prefeitura paga o translado, o caixão, mas não fornece um local para o velório. Para as famílias que têm pouco recurso, o preço do aluguel de uma sala é caro. Então, muitas vezes, essas pessoas acabam velando seus mortos em casa mesmo. Fiquei sensibilizado com a situação, fiz a pesquisa e constatei que esta sala no cemitério estava vazia. Diante disso, encaminhei um requerimento para a Emdurb”, afirma o parlamentar.

De acordo com tabela de custos de serviços fixada pela Emdurb, o aluguel de uma sala de velório no Cemitério da Saudade custa R$ 267,00 e no Cemitério Jardim Redentor, R$ 228,00. Segundo o diretor do Departamento de Limpeza Pública (DLP), Ewerton Mussi Hunzicker, bauruenses que comprovam baixa renda têm direito ao pacote gratuito, que inclui o translado e preparação do corpo, caixão, velas e enterro no Cemitério do Cristo Rei. Porém, até então, o velório não estava incluído.

A Prefeitura de Bauru paga R$ 162.318,17 por mês à Emdurb para o gerenciamento de funerária e necrópoles, que realiza 14 enterros do tipo assistencial a cada 30 dias no município, todos no Cristo Rei. “Com a reforma da sala, que terá capacidade para comportar, aproximadamente, 20 pessoas, ofereceremos também o velório assistencial para as pessoas que não podem pagar. Além disso, haverá dois banheiros com acessibilidade”, afirma. As obras para preparar a nova sala de velório do Cristo Rei devem custar de R$ 15 a 20 mil.

O dinheiro está disponível no caixa da Emdurb, garante o presidente da empresa, Rubens Ribeiro Barros Filho, o Rubito. “A sala vai colaborar na redução de custos, pois vamos concentrar velório e enterro no mesmo local.” Os custos para o novo serviço ainda serão discutidos, mas devem ser incluídos no pacote do funeral assistencial, pago pelo município.

Para a realização de qualquer tipo de enterro, seja ele por empresa particular, pela Emdurb ou assistencial, deve ser recolhida taxa no valor de R$ 48,00 para a empresa. Porém, quando o sepultamento é custeado pela administração municipal, a taxa também é paga pela prefeitura.

No pacote assistencial, o corpo é enterrado num sistema conhecido como columbário (um tipo de cemitério vertical construído acima do solo, vedado e impermeabilizado) e pode ficar 36 meses no local. Depois, os restos mortais devem ser movidos para um jazigo ou, na falta dele, vão para o ossário (depósito de ossos). Já foram construídas e ocupadas 60 vagas, por meio do funeral assistencial. A Emburb licitou mais 100 conjuntos com três gavetas cada, que serão entregues à medida que a necessidade for surgindo.

Reivindicações

O presidente da Emdurb, Rubens Ribeiro Barros Filho, o Rubito, deve se reunir com o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) para apresentar relatório com 89 pontos para melhorar o serviço prestado pela empresa e torná-la, principalmente, competitiva no mercado. Atualmente, a Emdurb cobra valor superior ao praticado pelo mercado. “Muita gente procura os outros serviços funerários que existem no município. Com isso, deixamos de aumentar as receitas da Emdurb”, afirma Rubito.

Em 2007, a prefeitura repassou à Emdurb R$ 1.345,11 para cada funeral assistencial. Porém, o JC divulgou pesquisa junto ao setor privado mostrando que funerais com serviços mais completos que o oferecido pela Emdurb custam, também com caixão de melhor nível, pelo menos a metade do preço total cobrado. O valor atual praticado pela Emdurb ainda é bem acima do mercado.