08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Minha estupidez


| Tempo de leitura: 3 min

De fevereiro deste ano até a data de hoje, sinto-me à margem como aluna das oficinas de teatro do D.E.A (Divisão de Ensino às Artes) do Teatro Municipal de Bauru. Não digo isso em relação ao conteúdo da aula ou sua aplicação, digo enquanto aluna de um grupo que está completamente desamparado e esquecido dentro de sua própria estrutura. Percebo que todo o grupo caminha com as “próprias pernas”, pois se precisa de o mínimo de iluminação para uma possível apresentação, não tem. Se precisa de som, também não tem, bem como uma equipe operacional fora dos dias da semana... mesma situação, não tem. É imposto como uma sentença sem condições de saber o porquê de tantos “não tem”.

Dentro desta linha de raciocínio e exemplos, continuo: desde o início deste ano, tirou-se todo o carpete do auditório (local onde os alunos fazem aula de teatro) a fim de realizar reformas que há tanto a sala necessitava. Até hoje está do mesmo jeito, aliás, está pior, repleta de pó e resíduos que os alunos varrem no início de cada aula pra utilizarem o espaço.

O estopim de tudo isso ocorreu nestas ultimas semanas, pois devido à utilização do Teatro Municipal pelo banco, ficamos sem auditório para nossas aulas. Deixo bem claro que a responsabilidade disso não é do banco e sim daquele ou daqueles que autorizaram a utilização do auditório, sem ao menos lembrar que às terças, quartas, quintas e sábados existem alunos que ocupam o lugar. Eu enfatizo o descaso e o desrespeito, pois ao procurar alguém que pudesse reverter ou explicar a situação, deu-se início àquele clássico jogo de “perguntas sem respostas”, passando para 3 ou 4 pessoas até finalizar num incrível “não haverá eventos no auditório, está desocupado, 'banco, pode utilizar!' Peraí! desde fevereiro tem aulas dentro deste auditório... ninguém está vendo

É claro que não! É claro que não! se estivessem vendo notariam que 20 alunos fizeram aula na cantina no último sábado, ou então na “Patrícia Pillar” (nome de uma sala existente no teatro municipal, mais conhecida como depósitos). Quero deixar claro que não me importo se dentro de uma sala tem cadeiras almofadadas, ar-condicionado e “caviar”. Só exijo o mínimo de condições de uso. Sinceramente, não sei a quem esta carta deva atingir, pois noto que há uma “bola de neve” de descaso e desrespeito vindo de todos os lados: de funcionários para alunos; de patrões para os funcionários e vice-versa; de alunos para servidores; de servidores para servidores e de alunos para alunos. Desta forma, ninguém faz absolutamente nada! Acentuando esta hipocrisia pública, este comodismo geral e o desamor pela cultura. Defendo aqui o meu interesse, que é teatro, e espero um dia ver o grupo de Bauru, representar o município em outras regiões com orgulho e satisfação assim como a dança está fazendo atualmente com muito esforço. Não deixo de ser realista, pois o que eu “espero” e o que realmente acontecerá não depende apenas de mim, não vou ser estúpida a este ponto e torço pra que ninguém mais seja.

Leticia Ravanini - atriz