08 de julho de 2026
Geral

Divisão do tempo é saudável ao homem

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Dividir o tempo em fases é um procedimento saudável ao homem. A iniciativa funciona como catalisador capaz de fazer o indivíduo rever sua vida. Também lhe dá perspectivas de planejamento para o próximo período estabelecido. A avaliação é do professor de filosofia da Universidade do Sagrado Coração (USC), Fausi dos Santos.

“A questão do tempo para o homem é primordial no entendimento da própria existência. É no tempo que o indivíduo estabelece momentos de ruptura de nível”, explica. De acordo com ele, as sociedades mais antigas – como as tribais, por exemplo – contavam com um tempo bem estabelecido. “O do plantio, da colheita, da puberdade. Esse tempo espacializado e ritualizado estabelece períodos bem determinados no seu existir. Coisa que perdemos na sociedade contemporânea”, informa.

Atualmente, o tempo é linear e não cíclico como já foi. “No cíclico, tudo se repete. É sempre uma renovação. Outono, inverno, primavera, verão. Hoje, nós vivemos com a idéia de tempo linear, do presente, passado e futuro. Não dá para voltar atrás. O tempo dividido em ciclos provoca rupturas de nível. Isso tem tudo a ver com existência”, informa o professor de filosofia.

Ele conta, por exemplo, a importância da chegada da puberdade para meninas de etnias indígenas. “É o tempo de morrer para a infância e nascer para a fase adulta. Ela é inserida numa série de rituais. Fica bem claro no imaginário existencial dela que ela é uma mulher”, comenta. Já no tempo linear, as rupturas são muito mais amenas. “Vivemos numa sociedade amorfa, onde tudo é igual. Esse é o preço a ser pago pela dessacralização do tempo. Nós perdemos aquele imaginário fantástico com o cientificismo, com o racionalismo”, comenta.

Os dias iguais, sem novidade, têm levado o homem pós-moderno à depressão e ao estresse. “Quando nos misturamos nesse tempo amorfo, onde tudo é igual, nos misturamos a produtos, coisas, com personalidades, com ídolos e perdemos muito da nossa própria identidade. Esse momento de parada, de reavaliação, é importantíssimo para a apropriação de si. Sem a apropriação de si, a pessoa não consegue planejar nada. Torna-se puro fluxo, movimento. É isso que essa sociedade faz a gente perder”, finaliza Fausi.

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Controle

Talvez o homem tenha dividido o tempo para controlar melhor suas próprias atividades ou a dos outros. A ponderação é do padre Roberto Daniel, o padre Beto, para quem a vida é um contínuo. Também professor de filosofia da Instituição Toledo de Ensino (ITE), ele explica que o homem não está no espaço, nem no tempo - mas ocupa um espaço e tem tempo.

“Existem várias divisões de tempo acontecendo simultaneamente. Posso contá-lo por hora, minuto ou esquecer das horas. O tempo é algo que eu posso administrar”, explica. No entanto, essa autoritária criação humana poderia ser substituída, por exemplo, por outros rituais também capazes de marcar o fim ou o início de uma etapa, finaliza.