Os empresários da região acreditam que o pior da crise financeira internacional já passou. Percebem ‘bons ventos’ para o segundo semestre. “Em Jaú estamos otimistas porque o setor calçadista inicia agora a nova coleção. Começa a contratar novamente”, diz o diretor titular do Ciesp em Jaú, Aldo Mazza Jr.
De acordo com ele, os setores de cartonagem e metalurgia, fortes no município, também têm boas perspectivas de crescimento. “E o setor sucroalcooleiro se mantém sem problema nenhum”, comenta. Em Botucatu, o mercado já iniciou um aquecimento a partir deste mês, conforme constatou o diretor do Ciesp, Moacir Fernandes Filho. “O segundo semestre será um momento chave para a indústria. Será um bom norte para a gente saber como chegaremos em 2010”, comenta.
Na opinião dele, medidas adotadas pelo governo como a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para alguns segmentos, a queda nos juros e o acesso ao crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foram bem recebidas pelos industriais. “A gente não vai ter um crescimento vigoroso, mas acredito que haverá uma melhora. Vamos chegar em 2010 numa situação bem mais confortável porque o crédito está voltando e voltando mais barato. As medidas são um sinalizador do governo de que ele está comprometido com o crescimento”, acrescenta Fernandes.
Segundo ele, os empresários compartilham da idéia de que o pior já passou e de que uma nova engrenagem já começa a funcionar. “Não vai ser da forma que era até agosto do ano passado. Mas já existem sinais de melhorias”, reitera. O segundo vice-diretor da regional de Botucatu do Ciesp, Ricardo Salaro, também acredita num segundo semestre menos ruim.
Estabilização
“Já estamos no segundo mês consecutivo em que as coisas não estão piorando mais. A situação está se estabilizando. Não estamos vendo sinais de piora. A grande incógnita é saber quando vamos voltar a crescer e quanto. Será que vamos voltar aos patamares que tínhamos antes da crise? Todo esse movimento acabou por fazer ajuste no cenário econômico e ainda não somos capazes de medir o quanto foi esse ajuste”, afirma Salaro, também diretor de processo do Grupo Lwart, em Lençóis Paulista.
O que ele garante sem erros é que vivemos num período de incertezas, difícil de fazer previsões. “O que a gente vê é um esforço muito grande das empresas em reduzir custos, otimizar recursos, de usar a criatividade para superar esse momento difícil e até usar tudo isso como forma de se preparar para a retomada. Quando a economia se aquecer novamente, precisam estar preparadas para atender a demanda”, comenta.
Ainda assim, na avaliação de Salaro, a região enfrentou a crise sem sofrer tanto quanto outras áreas e grandes metrópoles. No aspecto político, para ele, os meses que antecedem 2010 (ano eleitoral) serão iguais aos outros às vésperas do pleito.
“Em alguns momentos veremos acelerar projetos importantes que rendem votos. Também veremos segurar os mais polêmicos, que dividem a opinião pública. Ano que antecede eleição é sempre ruim para a produção porque as coisas não acontecem na velocidade que gostaríamos. Reformas e ações necessárias por parte do governo muitas vezes não acontecem e o reflexo disso é direto no setor produtivo”, finaliza.