11 de julho de 2026
Geral

Entrevista da semana: Fábio Souza Carvalho: ‘A juventude precisa lutar por seus sonhos’

Ana Paula Pessoto
| Tempo de leitura: 9 min

Aos 23 anos é comum que grande parte dos jovens ainda se sinta confusa sobre que rumo dar à vida. Porém, Fábio Carvalho não faz parte desse grupo. Ao contrário. Mesmo com a pouca idade, ele demonstra determinação e responsabilidade na gerência dos negócios da família. Sendo a 4ª geração de empresários da Casa Carvalho, ele diz estar trabalhando muito para manter a tradição da loja mas com um toque requintado de juventude.

Em entrevista ao JC, Fábio conta que seguir os passos da família não foi algo imposto ou determinado, e sim um desejo e um sonho que agora estão se realizando. O menino arteiro e levado que chegou a quebrar o braço por duas vezes e a levar muitos pontos pelo corpo devido às peraltices, se tornou o jovem homem cheio de responsabilidades e determinação.

Chamado de pão-duro pelos pais quando criança, Fábio Carvalho já tem investimentos na Bolsa de Valores e planos para seu futuro financeiro. Leia a entrevista completa que o jovem empreendedor bauruense concedeu ao Jornal da Cidade na qual os principais temas são Casa Carvalho, sonhos e planos futuros, mercado financeiro, juventude e vida pessoal.

Jornal da Cidade - Qual é o peso da responsabilidade de ser a 4ª geração de empresários da família e ainda tão jovem?

Fábio Carvalho – Meu pai não colocou muita pressão em mim. Ele foi me delegando as funções aos poucos. Então, eu não me sinto pressionado, mas sei que tenho uma responsabilidade grande em manter o nome da empresa e fazê-la funcionar bem.

JC – Em quais lojas você trabalha?

Fábio – As lojas de Marília e Botucatu são minhas. Então viajo duas vezes por semana para cada uma dessas cidades e gerencio uma das lojas de Bauru, também. Eu moro aqui porque Bauru fica entre as duas cidades e isso facilita muito.

JC – Qual é a história das lojas Casa Carvalho?

Fábio – Começou em 1924 quando meu bisavó se fixou em Bauru e montou uma loja com alfaiataria perto da ferrovia devido ao grande fluxo de pessoas que vinham de São Paulo e do Rio de Janeiro, por exemplo. O serviço foi aumentando, ele passou a comprar e a vender roupas prontas e houve a necessidade de contratar funcionários. Assim, foi se formando a primeira Casa Carvalho.

JC – Quantas lojas a família tem hoje?

Fábio – Temos cinco lojas.

JC – Quando você notou que tinha interesse em dar continuidade aos negócios da família?

Fábio – Fiz faculdade de administração de empresas já com o intuito de trabalhar com meus pais, só não sabia quando realizaria isso porque eu queria trabalhar em outras empresas para adquirir experiência.

JC – E chegou a trabalhar em outras empresas?

Fábio – Eu fiz algumas entrevistas de emprego e trabalhei na empresa júnior da Instituição Toledo de Ensino (ITE), isso em 2004. Cheguei a ser o presidente da empresa júnior no ano de 2005 e, em 2006, decidi trabalhar com meus pais.

JC – Em algum momento você pensou em seguir outra carreira?

Fábio – Não, sempre quis fazer administração por gostar muito de contas e querer trabalhar com meus pais. Desde criança eu freqüentava a loja e vivia nesse ambiente do comércio, até mesmo em casa. Sempre fiquei por dentro do funcionamento de tudo e acredito que isso teve uma certa influência na minha decisão de trabalhar com a família.

JC – Você foi uma criança peralta?

Fábio – Sempre fui muito arteiro. Levava pontos na cabeça, testa, perna e cheguei a quebrar o braço duas vezes por causa das minhas peraltices. Gostava de estar sempre correndo e brincando com os moleques. Já quando adolescente, fui um menino calmo e tranqüilo.

JC – Você disse que não foi influenciado pela família, mas a considera como exemplo profissional?

Fábio – Sim. Sempre me inspirei no meu pai e no meu avô. Meu avô conseguiu manter a Casa Carvalho por tantos anos e meu pai manteve a tradição da loja e a modernizou. Agora, estou tentando manter o padrão de qualidade, mas dando um toque mais jovem às roupas. Porém, a maioria das nossas peças continua tradicional.

JC – Quais foram as principais lições que seu avô e seu pais lhe ensinaram?

Fábio – Foram muitas. Mas posso citar a responsabilidade com o trabalho e com horários e a ser correto em minhas ações como as principais coisas aprendidas com eles.

JC – Você tem planos de continuar os estudos para se aperfeiçoar na administração dos negócios da família?

Fábio – Sim. Estou fazendo pós-graduação de estratégia em vendas e pretendo sempre fazer cursos para me manter atualizado com as tendências de moda e de mercado.

JC – Você já estudou fora do país?

Fábio – Ainda não. Fiz cursos profissionais específicos, mas morei por cinco meses no Canadá quando ainda estava cursando o ensino médio. Foi uma experiência muito boa. Fui para aprender inglês e morei com uma família de canadenses que abrigou um outro garoto estrangeiro, um mexicano. Assim, além do inglês, acabei aprendendo espanhol também.

JC – Passou por algum tipo de dificuldade durante o intercâmbio?

Fábio – Difícil mesmo foi suportar o frio do Canadá. Quando cheguei lá, a média era de 30 graus negativos, cheguei a pegar dias em que a temperatura era inferior aos 50 graus negativos. Engraçado que, quando estava voltando para o Brasil, já era verão no Canadá e fazia 35 graus positivos.

JC – Como você concilia trabalho, estudos e diversão. Sobra tempo para namorar e sair com os amigos?

Fábio – Sobra porque eu tenho meus horários bem organizados. Afinal, não podemos trabalhar o tempo todo. Minhas aulas são quinzenais, aos sábados. Durante a semana, à noite, faço academia e jogo futebol com os amigos. Já os finais de semana são livres para sair com a namorada e com meus amigos. Dá para conciliar tudo sem problemas. Como disse, sempre fui organizado com o tempo e com minhas coisas. Tudo na vida precisa ser bem dividido e equilibrado para dar certo.

JC – Você ainda é bastante jovem e já muito responsável. O que diria para a garotada que ainda se sente perdida nessa passagem para a vida adulta?

Fábio – Muitos jovens começam uma faculdade e desistem por não saberem o que querem, exatamente, da vida. Acredito que devemos ir atrás do que desejamos e sonhamos. Muitos só querem saber de sair à noite e gastar o dinheiro dos pais, sem preocupação nenhuma. É preciso colocar a cabeça no lugar e entender que essa é uma fase na qual é preciso ser adulto de verdade e começar a trabalhar e a pensar no futuro.

JC – E quais sãos os seus planos para o futuro?

Fábio – Eu quero continuar trabalhando e me dedicando às lojas com minha família. Quem sabe, em um futuro próximo, fazer novos investimentos na região.

JC – Você gostaria que seus filhos seguissem seus passos na Casa Carvalho?

Fábio – Eu acho que isso seria interessante sim. Mas, quando tiver filhos, não vou pressioná-los não. Vou fazer como meus pais fizeram comigo e com meu irmão, deixar que eles decidam qual carreira seguir.

JC – Qual é a profissão de seu irmão?

Fábio – Ele trabalha no Citibank, em São Paulo.

JC - O que você gosta de fazer quando não está trabalhando?

Fábio – Gosto de sair com os amigos, jogar futebol, treinar na academia e namorar.

JC – Você é um rapaz namorador?

Fábio – Namoro há sete anos com a fisioterapeuta Aline Bueno Moreira e sou apaixonado por ela. Comemoramos nosso aniversário de namoro todo mês. Acho que o romantismo é fundamental para um relacionamento dar certo.

JC – Qual é a receita para um jovem manter um relacionamento por tantos anos?

Fábio – Acredito que a confiança, amizade e respeito que temos um pelo outro é o que nos fortalece.

JC – Quais são as suas outras paixões?

Fábio - O comércio é uma paixão e um sonho que estou realizando. Além dele, o futebol e a música também me encantam muito.

JC – Como foi a educação que seus pais lhe deram?

Fábio – Eles permitiram que eu escolhesse meus caminhos, mas sempre com orientação. Por exemplo: quando menino, eu podia sair sempre que quisesse, mas tinha horário para voltar e respeitava isso. Nossa relação sempre foi de amizade e diálogo e nunca houve abusos. Sempre converso com meu pais sobre qualquer dúvida que possa ter. Por exemplo, sou investidor da Bolsa de Valores e ele me dá orientações.

JC – Por que a decisão de ser um investidor?

Fábio – Sempre fui uma pessoa econômica, meus pais até me chamavam de pão-duro quando menino, diferente de meu irmão que sempre foi mais de gastar dinheiro do que eu. Quando criança, não tinha cofrinhos, guardava direto na poupança para render e, em 2006, decidi investir na Bolsa. Já fiz curso de análise gráfica e leio muito sobre o assunto.

JC – Já teve um bom retorno com os investimentos?

Fábio – Sim, os resultados já foram bastante satisfatórios. Tenho até um clube de investimentos com meus amigos onde trocamos idéias e conversamos sobre o andamento do mercado.

JC – Qual é sua opinião sobre a atual crise econômica?

Fábio – Acredito que ela não afetou o comércio de Bauru e região. Nosso mercado aqui é muito bom e está crescendo, tanto é que abrimos a loja de Marília há cerca de um mês.

JC – Qual é o perfil do consumidor da Casa Carvalho?

Fábio – Temos vários tipos de consumidores. O nosso maior público são as mulheres que compram roupas para os filhos, maridos, pais e namorados. A idade dos nossos consumidores varia desde os garotos até os senhores de 80 anos de idade.

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Perfil

• Nome: Fábio Souza Carvalho

• Idade: 23 anos

• Local de Nascimento: Bauru

• Signo: Aquário

• Hobby: Futebol e academia

• Livro de cabeceira: Livros sobre o mercado financeiro

• Filme preferido: Filmes de ação

• Estilo musical predileto: Sertanejo e samba

• Time: São Paulo

• Para quem dá nota 10: Para meus pais Cássio e Maria Elídia

• Para quem dá nota 0: Ninguém merece nota zero