10 de julho de 2026
Bairros

Anunciantes divergem sobre retorno

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 5 min

Apesar do público-alvo desse tipo de propaganda afirmar que não presta atenção nas centenas de anúncios espalhados pela cidade nos lugares mais inusitados, os responsáveis pelos anúncios divergem sobre os resultados obtidos. Enquanto os mototaxistas afirmam que esse tipo de propaganda é o melhor, pessoas que prestam outros serviços contam que o resultado é apenas satisfatório.

Bianca Martins joga búzios e explica que investe nesse tipo de propaganda apenas para ser lembrada. Ela admite que, para o seu ramo, a melhor propaganda ainda é o boca-a-boca. “Pelo menos uma vez por ano, meu marido e eu mandamos fazer alguns banners para pendurar nos postes de iluminação”, relata. De acordo com ela, existem pessoas que cobram para fixar ou pendurar a propaganda nos postes. “A gente paga R$ 50,00 para ele pendurar cerca de 100 propagandas nos postes de iluminação pelos bairros próximos daqui”, conta.

Bianca relata que os banners são fixados no alto para evitar que as pessoas retirem, mas a tática também serve para dificultar o trabalho dos fiscais municipais. Na área central da cidade, avenidas Duque de Caxias, Rodrigues Alves e Cruzeiro do Sul, os cartazes com propagandas nos postes de iluminação se multiplicam numa velocidade cada vez maior.

Um entrevistado que faz leitura de cartas de tarô conta que também pagou para que uma pessoa fixasse em postes da região central e bairros próximos alguns cartazes com a propaganda dos seus serviços. “Na época, a pessoa me cobrou R$ 70,00 para colar acho que uns 200 cartazes”, conta.

De acordo com o tarólogo, sempre aparece alguém relatando que viu o cartaz em um desses lugares. “É claro que a gente sempre espera um pouco mais, mas nem todos que lêem o anúncio acreditam, e então não procuram”, explica.

Lembrança

Quem vive próximo ou passa todos os dias perto dos locais onde alguns supermercados colocam placas imensas para anunciar suas ofertas, se diz acostumado com a poluição visual causada por elas no local.

Maria Bernadette Clodoaldo Pereira, que todos os dias tem que passar pela avenida Moussa Tobias para chegar ao trabalho, diz que chega a ler os anúncios, mas que também não consegue memorizá-los. “A gente chega a ler porque está andando na rua onde está o anúncio, mas dizer que guarda para aproveitar as ofertas, isso não. Tem supermercado que a gente nem sabe onde fica”, brinca.

Pereira diz que aproveita mesmo as ofertas que chegam até a sua casa através dos jornal, seja o diário ou aquele do próprio supermercado. “Acredito que a cidade ficaria mais bonita se esse tipo de propaganda fosse proibida e fiscalizada”, opina.

Nos bairros, as propagandas vão além de empresas de mototáxi, serviços místicos ou anúncios de supermercado. É possível encontrar anúncios de serviços simples como limpeza de terrenos. Em geral, as placas com anúncios são feitos pela própria pessoa que irá executar o serviço, e muitas vezes foram escritas à mão.

Os postes criados para sustentar o sistema de transmissão de energia elétrica em Bauru também servem como painel de utilidade pública. É fácil encontrar cartazes fixados nesses locais com pedidos de ajuda para encontrar pessoas ou animais que se perderam do caminho de casa.

Na região do Jardim Bela Vista e parques São Geraldo e Vista Alegre, a reportagem do JC nos Bairros encontrou até cartazes com convite para participar de bazar da pechincha beneficente e quermesses. Os cartazes que anunciam shows musicais na cidade chegam a descolorir porque, quem colou, após o evento não tem responsabilidade nenhuma com a sua retirada.

____________________

‘Pior que pichação’

Apesar de não aprovar nenhum dos dois tipos de poluição visual pela cidade, alguns moradores chegam a afirmar que as propagandas em postes, cercados, viadutos e até mesmo na calçada causam mais má impressão do que as pichações. “Além das pichações crescerem cada vez mais pela cidade, nós temos que conviver também com esse tipo de publicidade”, reclama Maria Luzia Torres, que teve sua calçada enfeitada com diversos números de empresas de mototáxi.

De acordo com ela, a pintura é feita sempre no período noturno e ninguém pede autorização. “Está certo que a calçada é pública, mas quem teve que construir e tem que manter é o dono da residência. Tem gente especializada para fazer esses serviços, não são as empresas”, acredita.

Eliete Gomes, moradora do Jardim Marambá, acredita que a fiscalização é pouca, por isso, essa prática cresce cada vez mais. A moradora diz que no passado sofreu com pichadores e agora o problema está no poste que fica em frente à sua casa. “Toda vez que eles colam alguma coisa, eu faço de tudo para tirar. Uso água, raspo com uma espátula, não deixo mesmo”, conta.

Osvaldo Bezzera Gomes, esposo de Eliete, acredita na punição exemplar. “Até esses dias estava uma onda de pichação pela cidade. Bastou o anúncio nos jornais e na TV de que alguns jovens haviam sidos punidos que o problema desapareceu. Se existe lei e punição, só é preciso aplicar”, cobra.

____________________

Prática ilegal

A maior parte da publicidade feita em postes é ilegal e contribui (e muito) para a poluição visual da cidade. Tem gente que também utiliza o mesmo meio para fazer sua publicidade, mas ao contrário daqueles que colam cartazes, banners são pendurados e retirados todos os dias em frente a um salão de beleza no Jardim Santa Edwirges.

Ednéia Renata Ruiz, proprietária do salão, conta que o retorno dos banners que anunciam os preços cobrados pelos serviços é grande. “Diversas vezes a gente flagra pessoas que passam de carro de olho na propaganda”, conta. Apesar de afirmar que o retorno é certo, ela e seu marido, Valdecir Vieira da Silva, garantem que os banners são apenas fixados no poste em frente ao salão. “A propaganda fica aí até que o salão esteja aberto. Na hora de fechar, recolhemos o material para colocar no dia seguinte”, conta Valdecir.

Alexandre Dias de Azevedo reside ao lado da sorveteria que abriu há pouco mais de um ano. Para evitar pichações e aproveitar o espaço, ele mandou fazer a arte da sorveteria no muro da casa. “Coloquei todos os sabores existentes, o horário de funcionamento e um desenho de sorvete que chama a atenção das crianças”, conta.

De acordo com Azevedo, a melhor propagando para o seu ramo são os próprios clientes. Ele acredita que se a pessoa experimentar os sorvetes e gostar, no mínimo na próxima vez ela irá levar outra pessoa.