09 de julho de 2026
Geral

Aos 100 anos, Seo Paiva ainda se preocupa com quem precisa de ajuda

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 2 min

Quem vê o homenzinho frágil sentado em uma poltrona da Sociedade Beneficente Cristã nem imagina o quanto Sebastião Paiva, o “Seo Paiva”, tem para contar. Após 100 anos quase integralmente dedicados ao trabalho árduo em favor do próximo, ele não pretende descansar. Atualmente, o “Seo Paiva” passa seus dias aconselhando os mais abastados a ajudar os pobres.

“Agora, eu não posso mais fazer nada. Já passei de 100 anos e não tenho mais condições de trabalhar. Passo os meus dias em repouso, observando e aconselhando as pessoas que têm recursos a ajudar os mais pobres para que eles não passem fome.”

Para ele, as razões para fazer doações são simples. “Não adianta a pessoa fazer sacrifício, guardar muito dinheiro porque vai morrer e daqui não leva nada. E ninguém passa disso, ninguém fica para semente”, justifica.

Ao contrário de muitos que gostam de sair distribuindo conselhos por aí, “Seo Paiva” fala daquilo que viveu. Desde os 12 anos, ele arrecadava alimentos para os mais carentes. Com o passar do tempo, passou a prestar serviços aos necessitados no Lar dos Desamparados e no Centro Espírita Amor e Caridade, fundou a Sociedade Beneficente Cristã, a Casa da Criança, Casa do Leite, entre muitas outras obras, como o extinto Hospital Psiquiátrico.

“O que eu fiz é uma gota d’água diante da situação do mundo. Estou satisfeito. Fiz meu dever, minha obrigação”, afirma humildemente.

Com a idade avançada, o filantropo, que segue o espiritismo, não teme a morte. “A morte é libertação. Este corpo está velho, vou ter um corpo novo até chegar à perfeição”, comenta sobre o princípio da reencarnação, segundo o qual o espírito tem diversas vidas sob diversas formas até atingir a perfeição.

Embora a vida esteja calma agora, “Seo Paiva” faz questão de contar que não foi sempre assim. “Muita gente liga e pergunta como eram as coisas quando eu era jovem. A vida era difícil. Eu trabalhava de sol a sol. Não tinham leis trabalhistas até que, na Revolução de 30, Getúlio (Vargas) criou o Ministério do Trabalho e os operários passaram a trabalhar oito horas diárias, ter folgas semanais e férias anuais”.

Pelos comentários sobre o passado, nota-se que a memória está intacta e que a vontade de contar histórias permanece viva. É assim, conversando, aconselhando e relembrando que “Seo Paiva” segue rumo aos 101 anos.