Cerca de 50 túmulos do Cemitério da Saudade, em Bauru, foram violados entre a noite de anteontem e a madrugada de ontem. Os vândalos destruíram os jazigos e alguns caixões foram retirados das sepulturas. A Polícia Civil vai investigar o caso. Há a possibilidade de furto de ossos. No final de junho, 23 túmulos tinham sido vandalizados. Em abril, outros 32.
Na manhã de ontem, funcionários do cemitério iniciavam as atividades do dia quando se depararam com dezenas de sepulturas abertas. Em algumas delas, os caixões foram retirados, quebrados e os ossos foram revirados. Preocupados, os funcionários do cemitério chamaram a Polícia Militar (PM).
Técnicos da Polícia Científica foram acionados em seguida para periciar cada um dos jazigos violados, acompanhados pela PM e pela administração da necrópole. Inicialmente, foram listadas 44 sepulturas quebradas, mas durante a inspeção, outras duas foram encontradas. O Cemitério da Saudade permaneceu fechado enquanto a perícia era realizada. Até o final da tarde, ainda não havia o número exato de túmulos que foram violados, nem o que foi furtado – aparentemente, algumas mandíbulas teriam sido subtraídas.
A maioria eram jazigos antigos, mas em alguns deles estavam corpos sepultados recentemente. A administração do cemitério iria contatar as famílias responsáveis para relatar o ocorrido. Elas serão chamadas ao local para analisar a necessidade de exumação dos corpos, antes de recolocá-los nas sepulturas.
O corretor de imóveis Erivelton Trevisan Seixas, 45 anos, ficou sabendo do ato de vandalismo e foi ao Cemitério da Saudade. Ele constatou que o jazigo de sua família estava entre os danificados. “Meu bisavô está enterrado lá. Há alguns anos meu pai também foi sepultado ali”, relata. Ao encontrar o túmulo quebrado, se sentiu desrespeitado. “Estou bastante indignado. Alguma providência deve ser tomada. O Ministério Público tem que interceder pois não há segurança alguma no local”, critica.
O caso foi encaminhado ao Plantão Policial, onde o delegado Ronaldo Divino Ferreira registrou o crime de violação de sepultura. Como ainda será analisado se houve furto de ossos, também foi registrado para investigação a destruição, subtração ou ocultação de cadáver.
A administração dos cemitérios de Bauru é responsabilidade da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Ontem, o presidente do órgão, Rubens Ribeiro Barros Filho, o Rubito, esteve no local para verificar o problema. Ele explica que câmeras de videomonitoramento serão instaladas na necrópole.
“Serão colocadas 16 câmeras com infravermelho, para permitir a gravação durante a noite. A expectativa é que os equipamentos sejam instalados nos próximos 15 dias”, afirma Rubito. Ele também afirma que solicitou que os vigias da prefeitura intensifiquem a ronda de segurança pelo local. “Esse problema é um caso de polícia. Mas a vizinhança também pode ajudar e, se perceber alguma coisa de estranho, chamar a Polícia Militar”, diz.