O Programa Saúde da Família (PSF) tenta resgatar a relação médico-paciente. Mas como confiança não é algo fácil de ser restabelecida, a consolidação do vínculo ainda está em andamento em Bauru. A informação foi confirmada pela médica Deuseli Aparecida dos Santos, que integra o programa no Parque Santa Edwirges.
“Todo mundo que passa com a gente já teve alguma experiência ruim com algum médico. Contam muitas histórias. Que foram tratados com falta de educação, que não foram orientados, que demoraram a ser atendidos. Todo mundo chega com um pé atrás porque não sabe o que vai encontrar. Tem medo de ser tratado com descaso novamente”, comenta a médica.
De acordo com ela, existem dois outros complicadores na relação. Um deles é que muitos pacientes foram mal orientados e não sabem explicar por quais serviços passaram, nem para onde foram encaminhados.
O outro é que, muitas vezes, eles próprios têm dificuldade de comunicação. “O paciente recebe um impresso e não sabe dizer o que é aquilo. A gente recebe muitas pessoas analfabetas, com uma dificuldade de compreensão um pouco maior. Tem que ter mais paciência, compreensão”, defende.
Por essa razão, Deuseli dá a cada um o tempo necessário para resolver todos os seus problemas. De acordo com ela, o PSF prevê um acolhimento que extrapola a questão médica e invade o aspecto social.
“Devemos dar à pessoa o que ela está precisando. Não dá para fazer todas as consultas em dez, 15 minutos. Cada um tem o seu tempo. É um trabalho social”, garante.
Segundo Deuseli, o vínculo médico-paciente também é fortalecido com as visitas domiciliares. “Os pacientes contam que existe melhora no atendimento. A gente tem um retorno muito positivo do trabalho”, diz a médica, otimista com a tendência de humanização no atendimento.