08 de julho de 2026
Geral

Profissionais mudam de posto e os pacientes perdem contato

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 1 min

Até há cinco ou seis anos, os usuários do SUS ainda mantinham uma relação com alguns médicos alocados nas unidades básicas de saúde em Bauru. Depois, com o passar dos anos, os especialistas ficaram escassos no quadro funcional da prefeitura e sujeitos a transferências. A conclusão é óbvia. Os pacientes perderam o vínculo com os profissionais que os acompanhavam e deixaram de atender naquela unidade. O cenário foi descrito pela coordenadora do Conselho Gestor da Vila Dutra e representante dos usuários SUS, Rosemary Lopes de Moura.

“Troca muito médico de lugar, sai muito médico. Não tem mais essa relação. O que eu sinto é que não há mais diálogo, não tem linguagem. Como o paciente não sabe explicar e o médico não sabe entender, a pessoa já chega pedindo raio X. Imagina que não vai ser bem tratado, que o médico não vai colocar a mão nele, não vai olhar em seus olhos, então quer logo um exame. Vai armado para um contra-ataque”, comenta.

Para ela, a situação é ainda pior no Pronto-Socorro. É freqüente o paciente fazer um drama, aumentar o problema para ser atendido. “Até entre os próprios colegas médicos é preciso mentir. Muitas vezes, para o Pronto-Socorro conseguir vaga no Hospital Estadual tem que mentir a doença do paciente, agravar para conseguir vaga”, afirma. Na opinião de Rose, a relação médico-paciente não está consolidada nem no Programa Saúde da Família, ainda recente na cidade.

É mais freqüente em serviços oferecidos pelo Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais da Universidade de São Paulo (USP), o Centrinho, Sorri Bauru, Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), Hospital Amaral Carvalho (HAC).