08 de julho de 2026
Geral

Mesmo desgastada, confiança resiste

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Apesar de desgastado, o vínculo médico-paciente resiste, pelo menos na medicina suplementar (plano de saúde). A ponderação é do presidente da Unimed Bauru, Ajax Rabelo Machado. “Apesar dos pesares, para o brasileiro, o médico é muito bem quisto. Pesquisas por aí mostram que é uma das profissões mais respeitadas, com maior credibilidade, junto com bombeiro. Não podemos e não devemos deixar isso deteriorar”, comenta.

Ele cita a satisfação dos usuários da Unimed Bauru, que beira os 85%, e o fato de muitas dekasseguis retornarem do Japão apenas para darem à luz no Brasil. “Não podemos copiar esse modelo tecnológico. Temos de ter tecnologia para o que interessa. Precisa valorizar o ato da consulta. É quase como um confessionário”, comenta. Para Ajax, o mundo dá voltas, tem ciclos e a revisão de modelos é possível.

“A relação médico-paciente, de uma forma geral, era muito paternalista. O médico era o Deus e amém. Agora mudou. Mas tem o aspecto imutável da própria condição humana. Se sou tímido, se sou extrovertido. Tem as características culturais, ambientais e temporais. Mas de longe, os médicos que têm maior sucesso são os que têm uma melhor relação médico-paciente”, garante.

Ele já ouviu pacientes informarem que deixaram de freqüentar algum consultório porque o profissional é um ‘casca grossa’. Em outros casos, apesar da mesma característica, confiam no profissional. “Tem gente que gosta de médico meloso, tem gente que não”, comenta o pediatra. De acordo com ele, nessa especialidade, assim como na obstetrícia, os vínculos ainda são muito fortes.

O pediatra, normalmente resolve o problema de pele do bebê, a dor do ouvido e a queixa do pé torto na avaliação da mãe. “É ortopedia, dermatologia, tudo resolvido por um médico só, numa consulta só. O médico tem que ouvir a mãe, a avó, todo mundo entra na sala. Mas hoje em dia não se forma mais pediatra”, lastima. Conforme o JC divulgou, a especialidade está em baixa por conta da remuneração. A fonte de renda do pediatra, essencialmente, são as consultas, atualmente mal remuneradas.