08 de julho de 2026
Geral

Paciente do SUS não tem referência

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

No atendimento massificado do Sistema Único de Saúde (SUS), a relação médico-paciente praticamente foi extinta. A exceção são alguns serviços de alta complexidade. No geral, o paciente é consultado por um profissional, outro avalia seus exames, um terceiro faz a cirurgia e um quarto lhe dá alta. “O paciente do SUS hoje é de ninguém. Nós, enquanto conselheiros do CRM, temos debatido muito isso em São Paulo”, diz o urologista Carlos Alberto Monte Gobbo.

De acordo com ele, é comum a pessoa não saber nem o nome do profissional responsável pela cirurgia. O resultado é o crescente número de processos éticos profissionais que correm no conselho. “O médico trabalha na segunda e só volta no hospital na outra segunda-feira. Quem vai acompanhar a evolução, dar alta de tudo o que ele operou naquele dia são outros médicos. Acabam acontecendo coisas horrorosas”, garante.

Na opinião de Gobbo, o SUS precisa discutir o acolhimento e o acompanhamento dos pacientes nas estruturas disponíveis atualmente. “Senão, ele vira paciente não de um médico ou de uma equipe que ele facilmente identifica. É institucionalizado. É paciente da instituição”, comenta. Segundo o conselheiro do CRM, em alguns lugares no Interior, onde há resquícios das estruturas das Santas Casas, a referência médica ainda existe. Fora desses poucos ambientes, o paciente não sabe a quem se reportar.

Socorro

“Ele tem que saber quem são os médicos dele, a quem socorrer. No SUS isso fica perdido. E a gente sabe muito bem que boa parte da resposta do paciente ao tratamento é a confiança. Hoje o SUS está devendo isso. Houve avanços? Houve. Houve investimentos? Houve. Mas precisa fundamentalmente equacionar isso”, ressalta. Enquanto o problema persiste, o usuário SUS permanece numa situação de total submissão.

“Culturalmente, ele já tem maior dificuldade em se expressar ou mostrar sua curiosidade ou interesse em discutir com o médico. Até de se posicionar”, acrescenta. A situação foi confirmada por Luiz Antonio Bertozo Sabbag, diretor do Departamento de Urgência e Emergência da Secretaria Municipal de Saúde. Na opinião dele, a relação médico-paciente deve mesmo ser revista. No município, a expectativa é que seja resgatada com o Programa Saúde da Família.

Trata-se da implantação de equipes multiprofissionais em unidades básicas de saúde. São responsáveis pelo acompanhamento de um número definido de famílias, localizadas em uma área geográfica delimitada. Atuam com ações de promoção da saúde, prevenção, recuperação, reabilitação de doenças e agravos mais freqüentes. Atualmente, Bauru conta com sete equipes, além de quadro para saúde bucal, informa a assessoria de imprensa da prefeitura.

São atendidos os bairros Parque Jaraguá, Nove de Julho, Fortunato Rocha Lima, Sta. Edwirges, Vila São Paulo, Jardim Ivone, Pousadas 1 e 2, Nova Bauru e Vila São Paulo. “A Secretaria Municipal de Saúde está com projeto de, num prazo de mais dois anos, ter 25 equipes. Seriam 75 mil pacientes sendo atendidos pelo programa”, explica.