08 de julho de 2026
Ser

Minha história: Uma viagem inesquecível


| Tempo de leitura: 3 min

Estava sozinho na vida, sem muito a fazer, recebi o convite para uma viagem de navio. Era para um lugar desconhecido, diferente, sem tempo de ida ou volta, sem valor de passagem, sem tripulação, nem ao menos conhecia os passageiros.

Então conversei com o Todo Poderoso: “Poxa! Que coisa boa! Mas o que será? Onde isso vai dar?”. Não tive resposta Dele, tive muitas dúvidas. E na incerteza da vida, resolvi embarcar!

Na primeira semana de viagem pensei muito, afinal, tantas dúvidas. Navegávamos sem rumo, num clima agradável e algo me incomodava. Resolvi construir um muro, já que eu era um construtor de muros, para me proteger dos outros viajantes que estavam no mesmo navio. Um paredão, onde cada tijolinho, ao invés de barro, era cheio de medos, de sofrer, de dor, pois se a viagem era desconhecida, não tinha a certeza do que encontraria pela frente, até onde isso vai?

A muralha cresceu e o medo quase tomou conta da minha vida, eu nem sequer via a paisagem. Mas por uma fresta da muralha comecei a observar e analisar a situação, e percebi que tudo estava muito bom, sol, brisa do mar, a comida servida era maravilhosa, conheci outros passageiros e ao invés de ficar construindo muros escolhi aproveitar a viagem mesmo sem rumo e sem saber aonde chegar, sem criar expectativas, pensei no hoje, um dia de cada vez, pois o destino era incerto.

Nessa embarcação, recebi muito carinho, tive novas e fantásticas experiências, muito aprendizado, fotografei, alguns puxões de orelha, medo do barco afundar e isso tudo, em pouco tempo, me fez muito feliz. Aos poucos, o construtor, passou a ser um demolidor. A muralha em volta do meu coração foi destruída, comecei imaginar mais viagens, a construir um lugar num recanto calmo, com muito verde, retomar meus objetivos de vida, me encontrar, resgatar valores, ver as cores, respirar e a ter esperança. Tudo de uma maneira muito tranqüila, mas tão intensa, sem me preocupar com o fim da viagem.

Até que um dia abri meus olhos e avistei a uma ilha maravilhosa, pequenina no tamanho, de beleza inigualável, tranqüila na sua agitação, de pureza comparada ao ar mais limpo do planeta, com plantações de beijos um mais doce que o outro, repleta de abraços apertados, de natureza intocada, seu solo era firme como uma montanha e tão cheia de carinho por todos os lados.

Comecei a explorar e conhecer um pouquinho, e cada passo que dava em direção a seu interior, ficava mais e mais deslumbrado com tamanha beleza e encanto, um dia era melhor que o outro, encontrei a paz que sempre procurei. Essa ilha, quem não conhece, vale a pena visitar. O tempo não existe nela, os relógios não funcionam, aliás, parece que a fonte da juventude emana de lá. Senti-me tão jovem e a cada dia queria mais e mais ficar.

Mas nem toda história é como nos filmes ou livros, aqui é a vida real. Para mim a viagem foi ótima, vivi momentos intensos, maravilhosos, dei muita risada, conversei de tudo, discuti, aprendi, chorei, questionei, ouvi, não queria mais sair daquela ilha, não me sentia só. Um dia começou uma tempestade, raios e trovões, algo me dizia que a viagem já estava chegando ao seu final e passei a sentir uma dor enorme no peito, pois deixar de sentir tantas coisas boas é muito sofrível. É uma dor diferente quando um ente querido sobe as escadas do ônibus para uma viagem. O que alivia é saber que existe o retorno.

Junto com a tempestade veio a notícia aos passageiros da embarcação, a viagem acabou! Cada um deve voltar para o seu destino.

Não sei se um dia haverá outra viagem para essa ilha. Só sei que diante de tantas incertezas, dúvidas e emoções do começo só experimentei coisas lindas e maravilhosas, isso mudou a minha vida! Até mudei de profissão, agora no meu cartão de visitas me apresento como demolidor de muros.

Valeu a pena! Quero, um dia, voltar!

Para Márcia, com todo carinho.

Demolidor de muros