08 de julho de 2026
Bairros

Questão de segurança determina horários

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Ruas com iluminação deficitária e com pouco movimento. Esse é um dos principais problemas que os bairros enfrentam para atrair mais investimentos para a noite. Muitos moradores apontam a falta de segurança para circular até altas horas pelas ruas do próprio bairro. Comerciantes também argumentam que manter o estabelecimento aberto até muito tarde não compensa financeiramente, além de haver uma exposição desnecessária que facilita a ação de bandidos.

Rodrigo Carvalho, no Núcleo Habitacional Mary Dota, trabalha com a família num estabelecimento que fornece bebidas para festas. “Aqui o movimento é grande até a meia-noite. Depois desse horário não compensa manter o comércio aberto”, relata. O disque-bebidas deixa de funcionar mais cedo, às 21h. Carvalho conta que nunca teve problemas com assalto, mas que manter o atendimento até muito tarde não compensa. “Boa parte do nosso movimento, cerca de 70%, é durante a noite, mas as vendas caem muito quando chega a madrugada”, explica.

Alex Terzi Guimarães, que trabalha numa farmácia, também explica que apesar de 90% da clientela residir no bairro, o estabelecimento fica aberto até meia-noite para atender os pedidos do disque-entrega. “Ficar além do horário de costume não compensa, mas nunca tivemos problemas de violência”, garante.

O bairro, que concentra uma gama muito grande opções de serviços durante o período diurno, não consegue o mesmo sucesso durante a noite. Apesar de haver estabelecimentos que garantem ficar abertos até a madrugada, no Jardim Bela Vista a maior parte deles tem hora certa para baixar suas portas.

Daniela Medeiros Silva, que trabalha em uma pizzaria no bairro, conta que o local geralmente funciona até mais tarde, mas para atender os pedidos feitos pelo telefone. “Movimento maior é registrado no final de semana, quando ficamos trabalhando até por volta das 2 horas da manhã para atender os clientes que vêm até a pizzaria”, conta.

Silva, que reside no Parque Roosevelt, conta que lá a vida noturna quase não existe. “Onde moro, quando chega a noite tudo fica fechado”, relata. A realidade do Roosevelt se repete por dezenas de outros bairros como o Jardim Ouro Verde, Núcleo Habitacional Geisel e Cruzeiro do Sul.

Para o tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar (PM), não existe falta de segurança nos bairros da cidade. De acordo com ele, as estatísticas da polícia comprovam que bairros como os já citados não enfrentam nenhum problema quanto à segurança. “O que existe é uma sensação de falta de segurança, isso acontece porque as pessoas ouvem falar que a violência tem crescido pelo País e transferem essa situação para o local onde residem”, explica.

De acordo com Meira, a violência em Bauru acompanha o fluxo do movimento. “Bandido de hoje não quer ter dificuldade para chegar ao seu objetivo, que é conseguir dinheiro para, na maioria das vezes, comprar drogas”, afirma. Os roubos que hoje assustam a população estão concentrados em áreas onde existe maior movimentação de pessoas e gente com dinheiro no bolso, explica o comandante do policiamento.

“Claro que temos alguns bairros com problemas, mas estão localizados na região mais periférica da cidade. O policiamento preventivo está atento e não podemos dizer que a insegurança impede que bairros tenham vida noturna saudável”, completa Meira.

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Comandante reclama do desvio de finalidade de chamadas recebidas

Para o comando da Polícia Militar em Bauru, o que atrapalha o patrulhamento preventivo são as chamadas para assuntos que não têm nada a ver com a segurança. De acordo com o tenente-coronel Benedito Roberto Meira, comandante do 4.º Batalhão da Polícia Militar, muita gente solicita a presença da polícia para resolver problemas que não são de sua competência.

“Esse desvio de função impede que o policiamento esteja mais presente na comunidade”, justifica. “Somos chamados para resolver problemas como defeito em produtos, quando na verdade compete aos órgãos de defesa do consumidor.”

Outra situação que toma muito tempo dos policiais é resolver problemas de importunação do sossego. De acordo com Meira, diariamente a polícia recebe dezenas de ligações desse tipo, e isso atrapalha muito. “Essa situação pode ser resolvida de outra forma. Enquanto os policiais se deslocam para atender um chamado desse tipo, bandidos aproveitam a falta do policiamento na cidade em pontos que realmente apresentam problemas para agir”, lamenta.

Outro problema para a polícia é a acessibilidade que alguns bairros oferecem, ou melhor, deixam de oferecer. Ruas de terra e sem iluminação são chamariz para o crime, diz Meira. De acordo com ele, os bandidos sabem que a polícia tem dificuldade para entrar nesses locais, e por isso, agem.