09 de julho de 2026
Articulistas

O lixo e o homem

Juliano Schiavo
| Tempo de leitura: 2 min

Lixo. Palavra de quatro letras, duas sílabas e vários desdobramentos. Para uns é apenas algo que não tem utilidade. Para outros, esse rejeito se converte em dinheiro, arte, algo que pode e deve ser reutilizado. Depende do ponto de vista. Depende da consciência ecológica. A relação do homem com o lixo vem desde o início de seu desenvolvimento, quando, ainda nômade, descartava seus restos de comida no ambiente. Aos poucos, com o surgimento da agricultura, do fogo, de novas técnicas de manejo dos elementos químicos e, somado a esses fatos, o crescimento populacional, o lixo começou se tornar um problema para a sociedade.

O que antes se restringia a restos orgânicos (carne, frutas, cereais, entre outros), acabou por se tornar de mais difícil decomposição. Apareceram os restos de cerâmica, novas ligas metálicas, esgoto, novos componentes de difícil degradação. E o lixo começou a trazer doenças, ocupar espaço, causar transtornos ao homem e ao ambiente.

Com o surgimento das indústrias, esse problema se agravou. Houve um aumento no número de produção de bens materiais e, por conseqüência, um aumento na produção do lixo. O lixo enfim começou a ser notado pela sociedade, tornando-se sinônimo de algo que deve ficar longe das vistas e narizes humanos.

E, deste pequeno resumão da história do lixo, pode-se concluir que o desenvolvimento do homem está atrelado a sua produção de lixo. Pegue-se como exemplo o espaço sideral que, desbravado pela humanidade, atualmente conta com um ‘lixão’ espacial, composto por mais de 100 mil objetos com tamanho superior a dez centímetros.

São fragmentos de foguetes, lascas de tintas, satélites desativados, peças soltas e perdidas, além de uma centena de outros dejetos dessa natureza. Como no espaço não existe seres decompositores, esse lixo se torna eterno, a não ser que seja atraído pela gravidade terrestre e venha a cair na superfície do planeta. O que pode causar problemas sérios a quem estiver embaixo.

Portanto, é necessário enxergar que estamos no limiar da produção de resíduos, sendo necessário adotar condutas individuais e também cobrar políticas públicas que destinem corretamente o lixo e estimulem um desenvolvimento sustentável.

Para quem estiver interessado: Em 2008, junto com meu grupo de faculdade, desenvolvemos um livro-reportagem como trabalho de conclusão de curso. São seis histórias reais de pessoas que possuem ligação com o lixo. Quem quiser baixar o livro gratuitamente pode acessar o link: http://bit.ly/5WFff.

O autor, Juliano Schiavo, é assessor de imprensa - jssjuliano@yahoo.com.br