Cogita-se dotar a chamada “zona azul”, área urbana da cidade delimitada ao estacionamento de veículos em que o usuário paga uma tarifa pelo tempo que mantém seu automóvel imobilizado, de máquinas onde há um receptáculo para introdução de moedas, sincronizado a um relógio para medir o horário de permanência do veículo estacionado e um cofre que recebe as moedas depositadas. É o velho e conhecido parquímetro, que tem ensaiado sua volta. Na década de 70, durante o governo municipal que deixou sua marca de pujança e desenvolvimento na cidade, um pequeno grupo de pessoas representando certa empresa de parquímetros fez uma exposição na Câmara Municipal, aos vereadores e ao público interessado, mostrando a facilidade e economicidade daquelas máquinas no controle do tempo do veículo estacionado, convencendo as pessoas presentes da conveniência em substituir os funcionários operantes do sistema de controle vigente, que eram os mesmos que voltaram a funcionar depois da curta fase de vida dos parquímetros, com anotação em papel próprio vendido em bloco pela Emdurb constando o ano, mês, dia e horário do início do estacionamento do veículo. O município contratou a empresa representante da marca do parquímetro apresentado na Câmara Municipal, diligenciando na sua imediata implantação, abrangendo boa parte da rua Batista de Carvalho (não havia o calçadão) e vias adjacentes.
O motorista estacionava o veículo na vaga demarcada por tinta amarela no solo, em frente ao parquímetro afixado no passeio público. Introduzia na engenhoca uma moeda (equivalente a R$ 1,00 ou R$ 0,50), girava uma borboleta e o relógio da máquina indicava o único ponteiro em uma hora. Ali começava o esgotamento do tempo, de modo decrescente, até que a haste chegasse ao ponto inicial, ou seja, no zero. Por uma hora de estacionamento, pagava-se o valor de R$ 1,00 ou R$ 0,50 (não me recordo do valor exato) na moeda da época. Os funcionários da Emdurb, tinham por tarefa fiscalizar o cumprimento do horário do veículo estacionado. Se o automóvel continuasse imobilizado defronte ao parquímetro após o exaurimento do tempo, era lavrado auto de infração por agente da Polícia Militar.
O sistema funcionou muito bem durante pouco tempo, até que as máquinas deram mostras de sua vulnerabilidade na chegada de estelionatários e vândalos que se colocaram a serviço da malandragem e da destruição, colaborando celeremente para o descrédito do empreendimento e sua extinção. No lugar de moeda, os malandros introduziam nos parquímetros tampinhas de garrafas, arruelas, ficha metálica telefônica e outros objetos descobertos pela imaginação deturpada e criminosa. As máquinas inocentes, despojadas de proteção contra essas defraudações no seu país de fabricação, funcionavam regularmente, aceitando tudo o que parecia com moeda. Com certa freqüência, os vândalos noturnos arrancavam os parquímetros e os subtraiam assim como aconteceu com o boneco representando o sanduíche bauru e, nesse caso, raramente eram substituídos pela empresa responsável.
Tantos foram os ataques ao parquímetro que a administração municipal teve de curvar-se diante de um sistema avançado e retomar o velho e ultrapassado método da venda de blocos de papel para ser preenchido pelo usuário, admitindo sua falta de condições para manter a continuidade daquele serviço. As máquinas restantes foram erradicadas e a fiscalização da “zona azul” voltou ao estágio primário. Caminhando com o progresso, as máquinas fracassaram diante da ação humana nefasta que a Administração não soube evitar. As máquinas de hoje conservam o modelo de 30 anos atrás, mas parece que foram eliminadas as possibilidades de fraude que marcaram sua fragilidade diante do usuário brasileiro e estão preparadas para registrar infração contra o veículo que permaneceu estacionado por espaço temporal superior ao valor da tarifa, dispensando o trabalho do agente público.
Se a máquina está livre de ações fraudulentas não escapa do vandalismo noturno. Contra essa praga, entre nós não se conhece remédio adequado porque ela é imanente ao comportamento educacional de parte de nosso povo. É esperar para ver.
O autor, Alfredo Enéias Gonçalves d’Abril, é professor universitário aposentado