Jaú - O delegado titular do 3º Distrito Policial de Jaú, Nelson Henrique Jr., pretende ouvir ainda esta semana as testemunhas do grave acidente da madrugada da última quinta-feira naquela cidade que matou duas pessoas e deixou dois feridos. A primeira delas é André Felipe, 20 anos, que sofreu fratura exposta em uma das pernas. Além de ouvir a testemunha, ele quer complementar as diligências para concluir, o mais rápido possível, o inquérito. A polícia não fez exame clínico no motorista, acusado de atropelamento, para comprovar se ele estava embriagado.
Ele se recusou a passar pelo teste do bafômetro, o que é possível para não se auto incriminar, mas o delegado poderia ter solicitado o exame clínico.
A vítima, que está internada e consciente, pode dar à polícia a chance de instaurar um inquérito por homicídio doloso, ainda que dolo eventual, explica o delegado. “Não há comprovação de que o motorista que atropelou quatro pessoas e matou duas estava embriagado ou sob efeito de algum entorpecente. Não foram feitos exames clínico e nem de dosagem alcóolica”, admitiu o delegado.
Para reverter esse quadro, Júnior pretende ouvir a testemunha, e após obter informações, tentar comprovar que o condutor, Paulo Eduardo Veratti Diz, 22 anos, conduzia o veículo Honda New Civic de maneira a assumir o risco de um resultado trágico como foi. “Vou tentar ouvir a testemunha na Santa Casa ainda hoje (ontem). Se houver elementos para o dolo eventual, ele será enquadrado nesse artigo.”
Segundo o delegado , que também é da Ciretran da cidade, se houvesse o laudo médico comprovando a embriaguez automaticamente pela nova lei, o caso seria doloso, proposital. “Mas eu não tenho esses exames em mãos,” admitiu.
Para o delegado, a alta velocidade do Civic já está comprovada pela perícia. “Ele estava em altíssima velocidade, pela perícia e lógica. Se ele estivesse até 60 quilômetros/hora não causaria tamanha tragédia e nem deixaria o seu próprio carro no estado em que ficou.”
A trajetória do Civic somada a velocidade imprimida no veículo provocou o resultado. “Ele desceu com o carro disparado, perdeu o controle do veículo, provavelmente porque estava embriagado ou sob efeito de alguma coisa e matou duas pessoas, além de provocar ferimentos graves em mais duas.”
Lucas José da Silva Ezequiel continua internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Santa Casa em estado crítico, inalterado. Ele está com pneumonia por bronco aspiração, respirando por aparelhos, informou o diretor do hospital, Paulo de Tarso Nunes Chiode.
André Felipe, que sofreu fratura exposta, está internado aguardando uma cirurgia, que deve acontecer ainda esta semana, de acordo com o diretor.
O motorista do Civic foi autuado por homicídio culposo, pagou a fiança e vai responder o inquérito em liberdade. Ele continua com autorização para dirigir, até que seja pedida a cassação de sua Carteira Nacional de Habilitação. “Vamos pedir a suspensão, enquanto angaríamos provas para a cassação.”
____________________
Como foi
O acidente aconteceu por volta das 3h30 da madrugada de quinta-feira, feriado de 9 de julho, na avenida Isaltino do Amaral Carvalho, Jardim Diamante em Jaú. O veículo Honda New Civic, dirigido por Paulo Eduardo Veratti Diz, 22 anos, em alta velocidade pela avenida, perdeu o controle e bateu na traseira do veículo Gol de Dois Córregos. Em seguida, rodopiou na pista e atingiu os quatro jovens na rua, que se preparavam para embarcar em um veículo estacionado.
Três das vítimas eram primos que saíam de uma festa de aniversário, a mesma em que o condutor do Civic estava presente.
No impacto arremessou Natan Jonas Badin, 18 anos, para longe. Ele teve morte no local. Heikson Gustavo Franco da Silva, 17 anos, chegou a ser socorrido, mas morreu no Pronto-Socorro da Santa Casa. O terceiro dos primos, André Felipe, 20 anos, continua internado. O flanelinha Lucas José da Silva Ezequiel permanece internado na UTI em estado grave.