11 de julho de 2026
Esportes

Jogos Regionais: Descaracterizada, competição reúne atletas ‘profissionais’

Gabriel Pelosi
| Tempo de leitura: 5 min

A história registra a primeira edição dos Jogos Regionais em 1950, na cidade de Presidente Prudente, região oeste do Estado de São Paulo, com a finalidade da revelar novos talentos. Quase 50 anos depois, esta finalidade, no entanto, tornou-se obsoleta para a grande maioria das cidades participantes. O fato de ter revelado valores como Hortência e Paula, no basquete, Aurélio Miguel, no judô, e Cláudio Kano, no tênis de mesa, como gosta de exaltar a Secretaria de Esportes, Lazer e Turismo (Selt) do Estado, já não é o papel que vem sendo realizado pelos “Jogos Caipiras”.

Ocorre que para a maioria das cidades participantes a prerrogativa de se promover a massificação e o intercâmbio esportivo ficou esquecida em algum momento dos 52 Jogos Regionais realizados até aqui. Nos últimos anos, a competição deixou de valorizar e premiar o mérito de cidades que investem no esporte de base como agente transformador social. Em termos práticos, os vencedores já são conhecidos daqueles que participam direta ou indiretamente dos Regionais, antes mesmo da competição começar. A cidade campeã é sempre a “mais rica”. É a que contrata atletas já consagrados - até com medalha olímpica no currículo - para enfrentar gente que nunca nem disputou um campeonato fora de sua cidade.

Exemplos não faltam para comprovar esta descaracterização. Na competição da primeira região esportiva – são oito no Estado de São Paulo -, que envolve cidades da Grande São Paulo, meninas do vôlei que enfrentarão a equipe de Santo André, por exemplo, quando entrarem em quadra irão se deparar com Fofão, capitã da Seleção Brasileira na campanha de ouro nas Olimpíadas de Pequim 2008. E correm o risco de se prestarem ao papel de tietes ao invés de adversárias. Agora, fica a pergunta. Quais as chances das meninas de Diadema diante de um “possível” confronto contra Santo André? Será que existe a possibilidade de se revelar algum talento em uma partida dessas, se os talentos que estarão em quadra já estão revelados?

No caso de Bauru, por exemplo, que, por um bom tempo se gabou de ter um atleta olímpico, há mais tempo ainda assiste ao judoca Mário Sabino – medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos de Santo Domingo – vestindo o quimono de São Caetano nos Jogos Regionais e Abertos. Obviamente, essa situação não ocorre por culpa dos atletas, que em um País onde o investimento no esporte amador não passa de mera propaganda, fazem esforços sobre-humanos ao conquistarem resultados expressivos em competições internacionais.

Ano a ano a organização faz alterações no sistema de disputa na tentativa de mudar esse panorama. Recentemente, foi criada até uma Segunda Divisão dos Jogos Regionais para dar competitividade à cidades desprovidas de “estrelas”. Mas, para recuperar a verdadeira função dos Jogos Regionais, as mudanças precisam ser mais profundas.

História

No início, os Jogos Regionais não abordavam a quantidade de modalidades que se têm hoje. Conforme informações da Selt, em 1953, a edição que também ocorreu em Presidente Prudente contou com 1.200 jovens, de 22 municípios e foram disputadas as modalidades basquete, vôlei, tênis de mesa, atletismo, ciclismo, xadrez e até beisebol, que hoje não faz mais parte do quadro de modalidades dos Jogos. Desde aquela época, os campeonatos que se realizavam em algumas regiões paulistas evoluíram e se tornaram eliminatórios para os Jogos Abertos do Interior. A denominação oficial, Jogos Regionais só foi instituida em 1956.

Atualmente, os Jogos Regionais são divididos em oito regiões e envolvem cerca de 40 mil atletas. Hoje, tem início a segunda fase da competição que dará o “start” às disputas nas cidades de Franca, Oswaldo Cruz, Pirassununga e Santo André. A primeira fase abordou os confrontos nas cidades de Arujá, Atibaia, São Roque e Votuporanga. As cidades que compõe a região de Bauru concorrem em Pirassununga.

Hoje começou o embarque da delegação bauruense que, este ano, será composta por 430 pessoas – 362 atletas, 45 técnicos e dirigentes e 23 funcionários da Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel). Como chefe de delegação já está em Pirassununga o secretário interino José Cláudio Zwicker Yamamuro.

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Prefeito acompanhou embarque

O prefeito de Bauru, Rodrigo Agostinho, acompanhou na tarde de ontem, na Secretaria Municipal de Esportes e Lazer (Semel), o embarque dos atletas da cidade que irão disputar os Jogos Regionais. O vereador Roberval Sakai também esteve presente. Rodrigo cumprimentou atletas, técnicos e dirigentes de modalidades e desejou a todos sucesso nas disputas.

Em virtude das disputas entre as diferentes modalidades se iniciarem em datas diferentes, inicialmente seguiram para Pirassununga as delegações de basquete masculino, bocha, futebol masculino, futebol feminino, ginástica artística masculina, ginástica artística feminina, handebol masculino, handebol feminino, natação masculina, natação feminina, vôlei de praia masculino, vôlei de praia feminino, xadrez masculino e xadrez feminino.

O embarque será escalonado, pois as disputas serão em datas diferenciadas. A chefia da delegação está a cargo do secretário interino da Semel, José Claudio Zwicker Yamamuro, que viajou anteontem, para Pirassununga, acompanhando a equipe de apoio. A delegação de Bauru ficará alojada na EMEF Maria José de Oliveira Jacobsen, no Jardim São Fernando, região central da cidade.

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Bauru estréia hoje

Disputas em cinco modalidades – vôlei de praia, futebol, basquetebol, handebol e bocha – abrem hoje a participação de Bauru nos Jogos Regionais. A cidade atuará na competição deste ano com 362 atletas distribuídos em 22 modalidades, algumas até ausentes dos Jogos de 2008, em Lins, como o mountain bike, kung fu, biribol, vôlei de areia e kickboxing.

Estão confirmadas as seguintes modalidades: atletismo masculino e feminino; basquete masculino e feminino; biribol masculino; bocha masculino; capoeira masculino e feminino; damas misto; futebol masculino (a equipe competirá com quatro atletas emprestados do Fluminense - Mumu, Bruninho, Felinho e Erik -, líder do Amador da Liga Regional de Futebol de Bauru) e feminino; futebol de salão feminino e masculino; ginástica artística masculino e feminino; ginástica rítmica feminino; handebol masculino e feminino; judô masculino e feminino; karatê masculino e feminino; malha masculino; natação masculina e feminina; taekondo masculino e feminino; tênis de mesa masculino; voleibol masculino e feminino; vôlei de areia masculino e feminino; xadrez masculino e feminino.