10 de julho de 2026
Nacional

Sarney se diz injustiçado e culpa imprensa pela crise

Folhapress
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Brasília - Ao fazer ontem um balanço do último semestre, o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), admitiu ter feito avaliações erradas, culpou a imprensa e afirmou que a crise administrativa da Casa ficou personalizada nele. Deixou claro que vai permanecer no cargo e combater “injustiças com o silêncio, a paciência e o tempo”.

Sarney discursou da cadeira da presidência para um plenário com cinco dos 81 senadores. Falou por 22 minutos sem interrupção. Leu quase todo o discurso, que incluiu a lista de 40 medidas para combater a crise.

“Assumi a presidência com o duplo desafio de renovar a sua estrutura administrativa e restaurar a sua atividade política. Infelizmente, avaliei mal. As circunstâncias tornaram a reforma administrativa numa pretensa crise de desmoralização do Senado e inviabilizaram a discussão dos grandes temas.”

Ao dizer que tomou medidas de modernização e saneadoras, Sarney admitiu a existência de “graves problemas de natureza ética e legal que foram revelados quando começamos a examinar as condições prevalecentes de funcionamento”.

Sarney culpou a imprensa pelo agravamento da crise. No discurso, usou o termo ato secreto para referir-se ao que chamava, até então, de medidas administrativas sem publicação. Em nenhum momento, porém, ele reconheceu que teve parentes (duas sobrinhas e um neto) citados em atos secretos e fez questão de ressaltar que não teve nenhum desvio ético ou moral.