Por muito tempo, a dona de casa bauruense Nazareth Botelho Agostini, 72 anos, acreditou levar uma vida de sonhos. Era amada pelos pais, pelo marido e pelos filhos. O tempo passou, e as coisas começaram a mudar. Primeiro, foi o pai que faleceu, e em seguida, a mãe; depois, os filhos cresceram.
“Um foi fazer faculdade, outro foi prestar vestibular. Já não precisavam de mim para levá-los ao parque, ao circo ou ao cinema. Meu marido trabalhava o dia inteiro, chegava em casa cansado e nem tinha tempo para ficar comigo. Senti um grande vazio em meu íntimo e resolvi buscar refúgio na bebida”, afirma.
Aos 46 anos, Nazareth ingeriu seu primeiro gole de bebida (um copo de cerveja). “Cinco anos depois, eu costumava tomar uma garrafa inteira de vodca todos os dias. Fui uma bêbada solitária. Se pensarmos bem, o alcoolismo é uma doença da solidão. O fato é que poucas pessoas souberam de meu problema”, garante ela.
A casa, conta ela, ficou triste, vazia, sem aquele calor familiar. “A mãe é quem rege o humor de um lar. No meu caso, eu fazia de tudo. Nossa residência continuava limpa, a comida estava sempre na mesa, só que não havia mais aquele amor de antigamente”, explica.
Os filhos ficaram cada vez mais apegados ao pai, a ponto de Nazareth sentir ciúme. “Os olhos dos meninos brilhavam quando viam meu marido. Fiquei muito infeliz e resolvi abandonar minha fé. Eu pensava: ‘Deus não é por mim; todo mundo é feliz, menos eu’. O caso é, entre dois senhores, preferi a garrafa”, afirma.
O drama da dona de casa durou até o dia em que ela aceitou pedir ajuda ao marido. “Falei para ele: ‘Sozinha eu não consigo’”, relata. Depois disso, Nazareth buscou apoio em uma entidade e conseguiu se livrar da dependência. Desde então, nunca mais colocou uma gota de álcool na boca.
“A primeira coisa que fiz foi pedir perdão aos filhos pelas minhas falhas. Eles responderam, então: ‘Não precisa se desculpar, pois a senhora sempre foi a melhor mãe do mundo’”, conta.