A atual inversão de papéis entre homens e mulheres, causada por uma série de mudanças ocorridas nos campos pessoal, profissional e familiar, tem feito com que, aos poucos, a mulher deixe de trabalhar sua energia interna e passe a conviver em desarmonia com suas emoções e sentimentos, esquecendo-se da sua verdadeira essência.
Esse distanciamento energético da própria história de vida pode ser causado por razões culturais, religiosas e até mesmo pessoais, como a chegada de um filho. Além disso, segundo a terapeuta Lourdes Pedretti, que ministra cursos de desenvolvimento feminino em Bauru, as meninas educadas apenas para estudar e serem boas profissionais acabam tendo dificuldades de se relacionar.
“A menina começa a bloquear sua energia, fica mais tímida e depois vai ter dificuldade de relacionamento, inclusive com seu parceiro”, diz.
De acordo com a terapeuta, antigamente as mulheres utilizavam diversas técnicas para estimular sua sensualidade e se manter em equilíbrio energético. A dança era praticada diariamente de forma espontânea e funcionava como método de combate ao stress.
“A dança é inerente ao feminino. Ela trabalha muito com a energia, muda o seu estado e muda o estado do ambiente”, afirma. “As meninas começam a dançar desde pequenas e, de repente, se enchem de obrigações como inglês, computação, e a dança fica de lado”.
Gestos
Para as civilizações antigas, revela Pedretti, até mesmo o simples gesto feminino de se arrumar e se vestir possuía um significado. Segundo ela, cada cor, cada estilo, cada traço da maquiagem era utilizado com o objetivo de despertar um estado interno de energia, como a paciência, por exemplo.
“Hoje, a moda é uma coisa muito inconsciente. Alguém de repente cria e dita uma moda. Talvez para aquela pessoa faça sentido, tenha algum significado, mas nós vamos e consumimos sem entender o porquê”, diz.
Para que as mulheres resgatem seu estado original de energia e desenvolvam sua feminilidade, a terapeuta preparou uma série de cursos de férias voltados para meninas, adolescentes e mulheres de todas as idades. Nas aulas, que aliam a vivência às práticas milenares de antigas tradições da Índia e do Egito, ela trabalha questões como o resgate da auto-estima e o despertar do charme e da sensualidade.
“Na arte do flerte, você aprende a se aceitar, se entender, se gostar, se flertar e, espontaneamente, isso muda sua energia”, explica. “Na verdade, você aprende a flertar com si mesma”.
Bloqueios internos como a vergonha, o medo e a timidez também são trabalhados durante os cursos, que já são realizados por Pedretti há mais de dois anos. “Existem muitas práticas de cura feminina”, conta.
Todas elas, segundo a terapeuta, visam restabelecer o estado feminino de harmonia e beleza interna da mulher, que faz com que elas sejam mais flexíveis do que os homens.
“Quando falamos em sensualidade, logo pensamos em vulgaridade”, diz. “Mas a sensualidade é um estado energético, delicado, muito sutil, uma coisa quase imperceptível”.
• Serviço
Mais informações sobre os cursos podem ser obtidas pelo e-mail shakti.escoladedesenvolvimento2@gmail.com.
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Faixas etárias
As limitações impostas por cada faixa etária foram respeitadas durante a preparação dos cursos e a escolha dos temas. Para as meninas de 7 a 11 anos, a terapeuta Lourdes Pedretti explica que as aulas irão abordar conceitos ligados ao feminino sagrado.
Já o curso ministrado para meninas de 12 a 15 anos trabalha questões como o auto-respeito, a autoconfiança e a auto-estima na escolha dos seus futuros parceiros.
Um curso para meninas com mais de 15 anos e sem limite de idade busca despertar o charme e a sensualidade em seu estado puro.
Além disso, pela primeira vez, a Escola de Desenvolvimento Feminino irá oferecer um curso voltado para o resgate da auto-estima de mulheres que estão na terceira idade, considerada por Pedretti como a idade da sabedoria.
“Antigamente, todas as fases da mulher eram respeitadas, veneradas e cultuadas. Hoje, como se supervaloriza a juventude, a mulher na terceira idade acha que já passou o melhor da vida dela e que não tem mais nada para contribuir”, afirma.
“Mas ela tem uma beleza diferente. Ela pode ser bela, maravilhosa e sensual. E tudo isso, na verdade, mudando essas emoções negativas.”
Nesse processo de resgate da energia interna e da sensualidade, o papel do homem é essencial para que o equilíbrio e a harmonia dos sentimentos femininos sejam restabelecidos. “Na verdade, é a mulher que educa o homem. Se a mulher não muda ou está perdida, o homem também está perdido”, conta.
De acordo com ela, enquanto o homem está se tornando mais flexível e criativo, as mulheres estão desempenhando um papel mais ativo na sociedade. “Os papéis energéticos estão sendo trocados.”