08 de julho de 2026
Geral

Sem praça e área de lazer, crianças brincam na rua e em terrenos baldios

Juliana Franco
| Tempo de leitura: 2 min

Os irmãos Alexandro, Samuel e Lucas Felipe da Silva Freitas e o amigo Leonardo Lopes da Silva têm entre 8 e 11 anos e, como a garotada desta faixa de idade, têm muita energia para brincar. Mas, diariamente o grupo precisa driblar a falta de estrutura para lazer, diversão e prática de atividades esportivas na região onde moram. Eles estão entre as diversas crianças das periferias da cidade que durante a brincadeira se arriscam entre os veículos e entulhos.

No período de férias, com mais tempo ocioso, criatividade não falta para esta turma. Moradores do Parque Paulista, eles soltam pipa, jogam bola e andam de bicicleta. Todas as atividades são realizadas em um terreno na avenida Cruzeiro do Sul e nas ruas de terra batida do bairro.

Para brincar, eles dividem espaço com o mato alto e entulho – entre eles vidros, azulejos e objetos cortantes. Na manhã de ontem, o quarteto brincava próximo a uma carroceria de caminhão abandonada e com partes quebradas. “Andar de bicicleta a gente anda na rua mesmo, mas para brincar a gente fica aqui no terreno”, conta Leonardo.

Samuel, o mais novo da turma, com apenas 8 anos, também brinca na rua, sempre na companhia de seus irmãos. “Tem mais gente que vem brincar aqui. Não temos medo dos carros porque já estamos acostumados”, conta.

Muda-se o bairro, mas o problema continua. No Jardim Olímpico, a reportagem do JC encontrou um grupo de sete crianças, entre elas uma menina, fazendo as próprias pipas para soltar. A terra batida da rua e o terreno baldio do local se transformam nas áreas de lazer, onde as crianças mostram suas habilidades. Como foi registrado no Parque Paulista, o espaço que fica na rua Antônio Manuel da Costa é tomado pelo mato alto e pelo entulho.

O pequeno Leandro de Moraes, 6 anos, machucou o pé após pisar em um prego enferrujado enquanto soltava pipa no local. “Vários amigos meus já se machucaram brincando no terreno”, revela.

Do grupo de sete crianças, quatro já tiveram alguma lesão provocada pelos entulhos do local. “Mas a gente tem que brincar. A praça que tem é muito longe, então a gente fica aqui”, conta o estudante.

No período de férias, a televisão também se torna uma aliada nos momentos de ociosidade. “Mas gostamos mesmo de brincar com os amigos, fora de casa. Em casa não dá para jogar bola ou andar de bicicleta”, finaliza Alexandro.