09 de julho de 2026
Internacional

Jacarta: polícia confirma ação terrorista


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Jacarta - A polícia indonésia confirmou ontem que o duplo atentado na capital Jacarta foi obra da rede terrorista islâmica Jemaah Islamiyah (JI), considerada o braço da rede terrorista islâmica Al Qaeda do Sudeste Asiático.

Os investigadores já identificaram um dos homens-bomba e encontraram um laptop que provavelmente pertence aos terroristas que atacaram dois hotéis de luxo -Ritz-Carlton e JW Marriott- na última quinta-feira, deixando ao menos nove mortos, número que incluiria os dois terroristas.

Os dois homens-bomba fazem parte do mesmo grupo que cometeu uma série de ataques violentos no início da década, declarou um porta-voz da polícia, Nanan Soekarna. Embora nenhum grupo tenha assumido a autoria dos ataques, a polícia destacou a similaridade entre estes e os atentados da JI que deixaram quase 250 mortos em Bali e Jacarta entre 2002 e 2005.

Especialistas afirmam que o ataque aparentemente coordenado em Jacarta pode ser uma demonstração de poder do grupo que sofreu duros golpes nos últimos anos, diante de uma dura política do governo de combate ao terrorismo e a prisão de centenas de militantes.

As bombas utilizadas tinham as mesmas características do material explosivo encontrado recentemente em uma casa de Cilacap (oeste da ilha de Java), considerada esconderijo do terrorista malaio Noordin Top, um dos supostos cérebros dos atentados da JI.

Top é apontado também como líder do Jemaah Islamiyah, apesar de haver divergência entre especialistas, pois alguns acham que Top deixou a JI por divergências com a cúpula deste grupo -já que defendia a violência frente à difusão teórica do ideário radical.

Segundo os que defendem o desligamento de Top da Jemaah Islamiyah, o terrorista agora está à frente do grupo Tanzim Qaidat al Jihad. O envolvimento deste grupo também é analisado pelas autoridades.

Top, de idade estimada entre 40 a 50 anos, é considerado um dos principais organizadores dos atentados de Bali, do hotel Mariott (12 mortos em 2003) e da Embaixada da Austrália (dez mortes em 2004).

A polícia divulgou ainda que um dos terroristas suicidas foi identificado, mas revelou apenas que seu nome tem a inicial “N”. Os legistas ainda estudam os restos mortais do outro suicida para determinar sua identidade.

Desde anteontem, as investigações para encontrar os responsáveis se centram em analisar os corpos e a terceira bomba, que foi encontrada no quarto 1808 do hotel Marriott, considerado o “centro de operações” do massacre e no qual foi descoberto também material explosivo.

Os policiais encontraram ainda um laptop que contém informação e códigos que os terroristas podem ter usado para se comunicar, cita a agência indonésia Antara.

Retomada

Estreitando seus laços com a Al-Qaeda, a Jemaah Islamiyah (ou “Comunidade islâmica”) luta desde o início dos anos 1990 pelo estabelecimento de um Estado islâmico incluindo a Malásia, a Indonésia, Cingapura, Brunei, o sul das Filipinas, e o sul da Tailândia.

O duplo atentado é o primeiro ataque de envergadura atribuído a este movimento desde 2005. Ele ofusca a imagem de estabilidade recuperada transmitida pela Indonésia, que acaba de reeleger o presidente Susilo Bambang Yudhoyono.