08 de julho de 2026
Geral

Comissão do Iamspe questiona estrutura de atendimento do HB

Maíra Soares
| Tempo de leitura: 3 min

Após o anúncio do superintendente do Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe), Latif Abrão Júnior, na última sexta-feira, de que o Hospital de Base (HB) de Bauru poderá ter uma ala com 24 leitos voltada ao atendimento exclusivo de associados do instituto, membros da Comissão Consultiva Mista do Iamspe Regional Bauru passaram a questionar a capacidade de atendimento da instituição.

Para Idenilde de Almeida Conceição, presidente da comissão, o HB não tem condições estruturais de fazer este atendimento. “Neste momento, o HB não tem condição de se transformar num referencial. Tem que mudar muita coisa na estrutura e nos equipamentos, que estão sempre quebrados”, reclama.

Ela ressalta que o Iamspe tem um contrato com o hospital segundo o qual paga R$ 330 mil mensais por alguns tipos de atendimentos e procedimentos como internações, radiologia, fisioterapia e testes ergométricos. Porém, afirma que o hospital não cumpre parte deste acordo.

“Encontramos dificuldades do hospital de fazer todos esses procedimentos. O contrato prevê exame de raio-x, mas a máquina vive quebrada”, exemplifica.

Segundo Susi da Silva, membro da comissão, um hospital de referência para usuários do Iamspe na região é um sonho antigo. “É uma cobrança nossa de que haja um centro e referência, mas nós ficamos surpresos em saber que o Hospital de Base foi escolhido para isso. O que a gente quer é um centro de referência que consiga atender os nossos usuários e a gente vê muitos problemas com a Associação Hospitalar (que administra o HB)”, diz.

Outra reclamação diz respeito à estrutura dos quartos. “A estrutura dos quartos onde são atendidos os usuários Iamspe deixa a desejar. O sofá onde senta o acompanhante, por exemplo, está todo deteriorado. Tem banheiro que não tem saboneteira e nem barra de segurança para idosos. São coisas que têm que ser mudadas”, diz Idenilde.

Consultado sobre a situação, o superintendente da AHB, Vladmir Scarp, diz acreditar que o HB tem condições de oferecer ala especial para usuários do Iamspe. “Sem dúvida (temos condições de abrigar a nova ala). Senão, a gente não teria feito a reunião com o superintendente do Iamspe. As dificuldades que temos hoje serão resolvidas definitivamente”, explica.

Quanto aos equipamentos de raio-x, Scarp reconhece o problema e ressalta que está sendo resolvido. “Nós realmente tivemos problemas com as máquinas, mas estão em total recuperação. As cinco maquinas de raio-x estavam quebradas. Arrumamos duas e a gora vamos trocar todas. Com isso vamos resolver o problema de todos os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) e do Iamspe”, diz.

O superintendente da AHB também se posiciona em relação ao contrato de atendimento. “Não deixamos de atender nenhum usuário do Iamspe, com exceção do raio-x. Às vezes, determinada ala não aparenta muito agradável, como em um hospital novo, mas o mais importante que é o corpo médico é competente, e a parte tecnológica do hospital é adequada”, finaliza.

Iamspe e AHB devem decidir, em 15 dias, se firmam convênio para nova ala. Para o HB, a vantagem de atender pelo Iamspe é o valor pago por internação e procedimentos, maior que a remuneração do Sistema Único de Saúde (SUS), considerada defasada em relação aos custos reais.

Em Bauru, existem cerca de 21 mil usuários do sistema Iamspe. Além do HB, o atendimento é feito no Centro de Atendimento Médico Ambulatorial (Ceama) ou por meio de médicos cadastrados ao sistema. Até o momento, há 31 médicos credenciados. A expectativa, segundo o superintendente, é que o número chegue a 81 até o final do ano.

Autarquia

O Iamspe é uma autarquia ligada à Secretaria Estadual de Gestão Pública. O principal objetivo é prestar atendimento médico aos funcionários públicos estaduais, seus dependentes e agregados, que contribuem para isso.

O instituto possui três departamentos que são o Hospital do Servidor Público Estadual, localizado na Capital, o Departamento de Administração e o Departamento de Convênios e Assistência Médica (Decam), que coordena 18 Centros de Assistência Médica Ambulatorial (Ceamas) espalhados pelas principais cidades do Interior - uma fica em Bauru -, além de centenas de convênios com hospitais, clínicas e laboratórios que atendem os servidores.