08 de julho de 2026
Internacional

Oposição quer referendo e enfurece aiatolá


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Teerã - O líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, advertiu ontem que os líderes oposicionistas caminham para a “ruína” se continuarem contestando a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Foi uma resposta a um pedido de referendo sobre a legitimidade do pleito feito pelo ex-presidente Mohammad Khatami. Khamenei pediu à “elite” do país que tome cuidado com as posições assumidas no momento e alertou que “qualquer pessoa que leve a sociedade pelo caminho da desordem e da insegurança é uma pessoa odiada pela nação iraniana”.

O líder supremo voltou a acusar forças estrangeiras de alimentarem os protestos. Ele também lançou uma ameaça clara ao movimento que vem desafiando sua posição de detentor da palavra final dos assuntos iranianos: “Não perturbem a segurança”.

Khamenei reiterou a validade da reeleição e exigiu o fim do questionamento dos resultados oficiais -pelos quais Ahmadinejad teve 62,7% dos votos, dispensando um segundo turno contra o reformista Mir Hossein Mousavi (votado por 33% dos eleitores).

O Conselho dos Guardiães da Revolução, máxima instância constitucional iraniana, aceitou fazer uma recontagem parcial dos votos para acalmar a oposição, mas confirmou a reeleição de Ahmadinejad depois de afirmar que irregularidades em cerca de 3 milhões de cédulas não eram suficientes para mudar o resultado das urnas. Pelo menos 20 pessoas morreram, e dezenas de oposicionistas foram presos em meio à violenta repressão dos protestos pela anulação do pleito. Horas antes das advertências de Khamenei hoje, o ex-presidente reformista Mohammad Khatami (1997-2005) disse que a única saída para pôr fim à crise no Irã é consultar a população sobre a validade da eleição presidencial.

“As pessoas devem ser consultadas se estão felizes com a atual situação (...) Se a grande maioria da população estiver feliz com a situação atual, nós a aceitaremos também”, afirmou o ex-presidente. Citado por sites reformistas, Khatami também disse que os iranianos perderam a fé em seus líderes políticos após a eleição presidencial. “A durabilidade da ordem e a continuidade do progresso do país dependem da restauração da confiança pública”, disse o líder reformista.

Na última sexta, um outro ex-presidente, o aiatolá Akbar Hashemi Rafsanjani (1989-1997) havia desferido um duro ataque ao atual governo ao dizer que os princípios da Revolução Islâmica de 1979 haviam sido “esquecidos”.