Rio - Uma testemunha afirmou em depoimento à Polícia Civil na tarde de ontem que o tiro que atingiu a cabeça do menino William Moreira da Silva, 11 anos, enquanto brincava com uma pipa na zona norte do Rio, partiu de fuzis da Polícia Militar.
O menino morreu anteontem enquanto empinava pipa no terreno de uma fábrica localizada em uma das entradas do morro do Chaves, em Barros Filho, na zona norte do Rio. “A criança estava na linha de fogo da polícia”, disse a testemunha. O depoimento foi prestado em sigilo por questões de segurança.
O inspetor da 39.ª DP (Pavuna), Rubens Silva, disse à reportagem que, segundo a testemunha, os policiais efetuaram dois disparos na direção do menino. “A testemunha anotou os dois últimos números de identificação do carro da PM que estava na avenida Brasil. Ela disse que antes dos policiais atirarem, dois tiros foram ouvidos em uma rua paralela à favela”, afirmou Silva.
Segundo assessoria da PM, policiais do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE) acionaram o 9.º Batalhão de Rocha Miranda para receberem apoio em uma ação para prender assaltantes que estariam circulando na avenida Brasil. “Policiais do Batalhão de Rocha Miranda fizeram uma ronda na área do morro do Chaves e disseram que não ouviram nenhum disparo naquela região. Os criminosos que estariam assaltando na avenida Brasil fugiram para um matagal da favela e não foram encontrados”, disse o coordenador de comunicação da corporação, major Oderlei Santos.
O comandante do 9.º BPM (Rocha Miranda) afirmou que não houve operação policial naquela comunidade no momento do crime. “A Polícia Civil investigará se os responsáveis pelo ato criminoso seriam traficantes daquela região”, disse.
A PM ainda informou que o vigia da fábrica teria abandonado o corpo da criança em frente ao Corpo de Bombeiros da região. A versão fornecida pela Polícia Civil é de que o garoto foi socorrido por familiares e encaminhado para o hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo (zona oeste), mas não resistiu ao ferimento e morreu. O inspetor Rubens Silva disse que o laudo sobre a morte da criança deve sair na semana que vem.