Somos o País da tolerância. Toleramos corrupção no Senado, convivemos com a vadiagem e mendicância, suportamos a criminalidade, permitimos desvio de recursos, agüentamos a Justiça morosa, aceitamos invasões e expropriações, consentimos com o excesso de impostos, observamos a ineficiência do serviço público... Atualmente, os pequenos delitos são aceitáveis, os pequenos furtos são admissíveis e, muitas vezes, até justificados nas propagadas diferenças sociais. Do mesmo modo, aceitamos que políticos rompam a outorga de mandato e corrompam as estruturas públicas até o mais alto escalão.
A grande massa assiste e se contenta com as migalhas governamentais, esmolas em forma de programas públicos que não formam, não educam e não profissionalizam, mas apenas subornam os desfavorecidos em troca da fidelidade eleitoral. E se cala diante das atrocidades que minam o progresso do País e consomem a esperança e a perspectiva da classe produtiva e geradora de empregos.
A falência que vivemos é institucional. As estruturas públicas - ensino, segurança, saúde, saúde, Justiça - são feitas para não funcionar, e para aprisionar no cativeiro da ignorância e do medo um curral de sectários, fiéis mantenedores do mandato oportunista, do vil poder. Que pena! Assistimos nossas riquezas naturais e nosso povo afável aviltados pela desfaçatez. Convivemos com a violência, ombro a ombro, em todas as suas variantes e escalas. E, complacentes, toleramos. Até quando suportaremos? Que futuro terá o País dos nossos filhos? Qual legado deixaremos? Chega de leniência. Tolerância zero já!
Milton Silles de Freitas Junior