Bariri - Com base em mandado de busca e apreensão concedido pela Justiça, a unidade de Bauru do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) apreendeu em Bariri (56 quilômetros de Bauru) um computador da prefeitura, instalado no Posto de Saúde, que supostamente era usado no controle da entrada e saída de remédios da unidade. A operação faz parte dos trabalhos de investigação de um suposto esquema de desvio de medicamentos comandado pela administração.
A máquina, que segundo o Ministério Público (MP) poderia conter informações relevantes à investigação que possibilitou a abertura de ação civil pública conduzida pelo promotor de Justiça de Bariri, Hércules Sormani Neto, teria apresentado problemas e teria sido encaminhada para manutenção técnica. Para não comprometer os trabalhos do MP, o Gaeco fez um pedido judicial solicitando o recolhimento do computador.
O promotor de Justiça do Gaeco Luciano Gomes de Queiroz Coutinho confirma a apreensão da máquina e diz que a ação tem caráter preventivo. “Existem algumas investigações do Gaeco de Bauru em relação a possíveis irregularidades envolvendo o setor de Saúde de Bariri”, explica. “Diante da possível relevância das informações desse computador para as investigações, foi feito um pedido de busca e apreensão da máquina”. Segundo ele, o computador agora vai passar por perícia para que dados supostamente importantes sejam preservados.
O promotor de Justiça Hércules Sormani Neto diz que a ação civil que apura supostos atos de improbidade administrativa cometidos pelo ex-diretor de saúde e atual prefeito de Bariri, Benedito Senafonde Mazotti (PSDB); pelo atual diretor de Saúde, Claudocir Maccorin; pela ex-diretora de Saúde Rosa Maria Canal; e pelo presidente da Câmara, Clóvis Roberto Bueno (PSDB), ainda está na fase das defesas preliminares. “Estamos quase chegando na fase de início de instrução”, diz, quando são analisadas provas documentais e testemunhais.
O Ministério Público não quis adiantar detalhes dos depoimentos para não atrapalhar as investigações. No final de fevereiro, a polícia de Bariri encontrou na garagem da oficina mecânica de propriedade de Bueno várias cartelas de comprimidos, além de cerca de 60 caixas de medicamentos diversos, grampeados com receituários em nome de diferentes pessoas.
Os réus investigados na ação civil pública chegaram a ficar afastados de suas funções por mais de uma semana com base em liminar deferida pela juíza da Comarca de Bariri, Carina Lucheta Carrara, no dia 19 de maio.
Um dos motivos para que a juíza solicitasse o afastamento dos réus teria sido a ocorrência de suposta coação de testemunhas na fase do inquérito policial. Contudo, no final de maio, o Tribunal de Justiça (TJ) suspendeu os efeitos da liminar e reconduziu os investigados aos cargos.
O MP apura suposto crime eleitoral envolvendo os acusados. Além disso, há ainda ação penal pela prática do crime de peculato contra todos os envolvidos que vem sendo apurada.