08 de julho de 2026
Internacional

Governo interino descarta volta de Zelaya

Fabiano Maisonnave
| Tempo de leitura: 3 min

Manágua - O mediador do diálogo entre o presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e o governo golpista comandado por Roberto Micheletti, Óscar Arias, apresentou ontem à noite sua proposta final para a resolução do conflito hondurenho, com poucas diferenças em relação ao acordo que propusera no sábado, que os golpistas se recusaram a assinar.

A nova proposta de Arias insiste no retorno de Zelaya ao poder, que o governo golpista já disse não aceitar em hipótese alguma, para conduzir um governo de “reconciliação nacional” até 27 de janeiro, data prevista para a posse do próximo presidente. Arias propôs também que as eleições marcadas para novembro sejam antecipadas para outubro. Antes da nova proposta de Zelaya, o presidente deposto anunciara que mantém a sua intenção de voltar hoje para Honduras, por terra, através da fronteira com a Nicarágua.

“A hipótese de uma volta ao poder do senhor Zelaya está descartada, em aplicação do direito interno hondurenho”, reiterou ontem, em Tegucigalpa, o chanceler do governo interino, Carlos López.

À tarde, comitivas de ambos os lados voltaram a se reunir na casa de Arias, na capital costa-riquenha. Até esta noite, o encontro não havia terminado - a dúvida era se seria anunciado a “carta” ou o “acordo” de San José.

Com a mediação de Arias, representantes de Micheletti e de Zelaya se reuniram em duas rodadas, nos dias 9 e 10 deste mês e novamente no último fim de semana. Diante do fracasso, o presidente costa-riquenho, Prêmio Nobel da Paz em 1987, pediu aos dois lados no domingo mais 72 horas para tentar chegar a um acordo.

Apesar de não ser reconhecido oficialmente por nenhum outro país, o governo interino de Honduras conseguiu se reunir com o presidente colombiano, Álvaro Uribe, na segunda, em Bogotá. No domingo, comitiva do governo de fato fora recebida pelo presidente panamenho, Ricardo Martinelli.

Uribe recebeu uma comitiva de oito pessoas, entre elas o chanceler interino, conversou sobre o problema de Honduras e disse “simpatizar” com o governo de Micheletti por seu “respeito à ordem constitucional, à separação dos poderes e aos direitos humanos”, segundo entrevista de López, concedida à rádio colombiana La FM.

O encontro, realizado à noite, não havia sido divulgado pela Chancelaria da Colômbia até à noite, quando uma nota foi divulgada pela entidade depois das declarações do chanceler hondurenho interino. Na nota, o governo colombiano afirma que recebeu -de maneira informal- uma comissão hondurenha “no âmbito do processo de facilitação da situação em Honduras, liderado pelo presidente costa-riquenho, Óscar Arias”.

No período que sucedeu o golpe que depôs Zelaya em 28 de junho, Uribe declarou que defendia a determinação democrática de cada povo e o princípio da não intervenção sob qualquer hipótese. Disse também que apóia a volta da Constituição e da lei.

A nota colombiana diz ainda que Bogotá não endossa os comentários pessoais que integrantes da comissão hondurenha tenham feito em relação a outros países. Na entrevista para a rádio, López havia dito que a Colômbia foi procurada porque, assim como seu país, “sofre agressões externas de Hugo Chávez (aliado de Zelaya)”.