Inconformados com o fechamento - agora oficial - da Administração Executiva Regional (AER) da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru, cerca de 50 indígenas de aldeias da reserva de Araribá, em Avaí, passaram o dia de ontem na sede do órgão e impediram a saída de funcionários. Até o fechamento desta edição, pelo menos uma funcionária, Patrícia Fernandes Moreira Costa, 36 anos, havia sido liberada por apresentar problemas de pressão arterial.
O cacique Anildo Lulu alega que a mudança da Regional Bauru para Itanhaém, litoral de São Paulo, vai prejudicar o atendimento dos indígenas da região. No entanto, essa discussão já ocorre há cerca de três anos sendo que, no último dia 20, foi publicado oficialmente no Diário Oficial da União o fechamento da sede em Bauru. A medida teria pego os índios de surpresa, segundo o vereador de Avaí Paulinho Terena (PSB).
No entanto, a Funai, através de sua assessoria de imprensa, ressalta que a decisão foi tomada após discussões entre o órgão e lideranças indígenas do Estado e que teria prevalecido a opinião da maioria. Ou seja, a maior parte das comunidades indígenas está localizada no litoral do Estado e deseja que a AER seja implantada naquela região.
Ainda segundo a assessoria do órgão, as tribos das região de Avaí, de Tupã e Graúna, no interior do Estado, não serão prejudicadas com a mudança pois a sede em Bauru será transformada em um Núcleo de Atendimento. Com relação aos funcionários, que atuam no órgão em Bauru, a Funai informou que parte deles serão aproveitados.
A preocupação dos índios da região, porém, é que com a mudança para Núcleo de Atendimento, a unidade perde a autonomia financeira.
Conforme o JC divulgou ontem, a ocupação da AER ocorreu anteontem à noite e foi pacífica, sem incidentes. Alguns índios, no entanto, portavam borduna (espécie de lança) e não deixaram sair os funcionários no final do expediente. O administrador da regional, Amaury Vieira, permanecia no prédio até o dia de ontem.
Anildo Lulu disse que pretendia encaminhar, ainda ontem, um documento, via fax, para a Funai em Brasília solicitando a saída do presidente do órgão, Márcio Meira.
Segundo ele, organizações indígenas do Rio Grande do Sul e Santa Catarina teriam demonstrado apoio às suas reivindicações. A manifestação foi pacífica.
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Políticos são contrários ao fechamento
O prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) e o vereador Roque Ferreira (PT) se manifestaram contrários ao fechamento da Administração Executiva Regional (AER) da Fundação Nacional do Índio (Funai) em Bauru.
Agostinho, em viagem a São Paulo ontem, enviou ao chefe de gabinete Paulo Roberto Ferrari para conversar com os índios. Por telefone, Agostinho disse que acompanha há muito tempo este problema e que trata-se de um decisão técnica a Funai fazer a mudança da regional.
“Não é que eu não defenda a base da Funai em Bauru. Sobre esse assunto, desde o começo do ano eu falei com vários deputados. Inclusive, como vereador, fiz várias moções na Câmara em relação a isso”, explica. No entanto, Rodrigo disse compreender a decisão do órgão. “A maior parte das aldeias indígenas do Estado de São Paulo está no litoral. Essa é uma reivindicação antiga deles”, comenta.
O vereador Roque Ferreira (PT) também esteve, no período da manhã, reunido com as lideranças indígenas na sede da AER. Em nota à imprensa, ele ressaltou que acompanha a situação desde 2007 e, na oportunidade enquanto cidadão e dirigente sindical, contribuiu na luta para manutenção do órgão na cidade.
Roque afirma ser contrário à transferência do órgão para Itanhaém, e se comprometeu a fazer gestões junto ao Ministério da Justiça e a Funai, para que reabra o processo de negociações e suspenda o ato de transferência. A assessoria da Funai explica que a mudança da sede em Bauru para o litoral faz parte de um processo de reformulação do órgão que ocorre em todo o Brasil.