11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Ações de despejo crescem 6,25% por inadimplência

Tisa Moraes
| Tempo de leitura: 2 min

A crise financeira mundial causou impacto no pagamento de aluguéis em Bauru. Os despejos aumentaram, indicativo da inadimplência. As ações de despejo por falta de pagamento em Bauru registraram um crescimento de 6,25% no primeiro semestre deste ano em relação ao mesmo período do ano passado.

Enquanto 352 ações foram registradas entre janeiro e julho de 2008, nos primeiros sete meses de 2009 a Justiça recebeu 374 pedidos, de acordo com o Cartório Distribuidor do Fórum de Bauru. O aumento, mesmo que discreto, pode ser atribuído ao impacto da crise financeira mundial sobre o emprego, conforme avaliação do delegado regional do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci) de Bauru, Carlos Eduardo Candia. “Na região, várias empresas grandes demitiram parte de seus funcionários. A falta de trabalho é uma influência direta para o crescimento da inadimplência”, observa.

No entanto, Candia lembra que o aumento mínimo do volume de ações de despejo pode esconder uma realidade bem mais preocupante já que, desde agosto do ano passado, as imobiliárias do Estado passaram a ter o direito de protestar em cartório os inquilinos e condôminos inadimplentes. “As ações de despejo se tornaram uma segunda opção, por ser mais morosa e onerosa para as empresas. Acredito que, atualmente, mais de 95% dos aluguéis atrasados sejam recebidos através de protesto, antes de chegar à Justiça”, frisa.

Com a nova lei estadual, o morador que atrasar o pagamento do aluguel e tiver a dívida protestada terá o nome inscrito no Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e na Serasa, até que salde o valor devido. “Se não houvesse esse procedimento administrativo, certamente as ações de despejo seriam muito maiores. O que temos observado é que até aqueles inquilinos que sempre pagaram em dia começaram a ter dificuldades de honrar seus compromissos financeiros”, comenta.

Além da crise, outro fator que pode ter colaborado para o aumento do número de inadimplentes acionados judicialmente foi a expansão no preço do aluguel após a renovação dos contratos vencidos no primeiro semestre deste ano. Segundo pesquisa do Sindicato da Habitação (Secovi), o aluguel registrou alta de 11,3% nos últimos 12 meses encerrados em junho. No primeiro semestre de 2009, o aumento foi de 3,75%, acima da inflação oficial, já que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumula, no primeiro semestre, alta de 2,57%.