Há uma lista de responsabilidades comuns para quem mora nas agitadas repúblicas, casas que são divididas entre estudantes que sejam amigos ou até desconhecidos. Arrumar a casa, lavar louças, cozinhar e cumprir regras estabelecidas em prol da boa convivência são apenas alguns exemplos. Mas, além disso, os que vivem em comunidade precisam fazer cálculos mensais para chegar a uma divisão justa das contas a pagar, o que pode, muitas vezes, ser uma tarefa aborrecedora e até motivo de discórdia.
Para facilitar o trabalho de quem divide o mesmo teto com outras pessoas, um ex-estudante universitário, hoje formado em informática, desenvolveu um programa que ajuda a determinar os valores corretos a serem pagos por cada um dos membros da república. “A pessoa pode incluir todos os gastos, desde água, luz, telefone, aluguel, empregada, até valores que não são fixos, como pizza e balada que você tenha pago para alguém da casa”, relata Guilherme Fonseca de Souza Leite, 26 anos.
O serviço está disponível gratuitamente no site www.supercontas.com.br, assim que o interessado fizer um cadastro simples. No mesmo endereço, o usuário pode ter acesso a um manual detalhado para entender como o programa funciona. A conta de telefone, um dos rateios mais complexos de serem feitos, fica bem mais fácil. No programa do Supercontas, basta cadastrar os números mais comumente chamados na casa, correspondendo-os aos nomes dos moradores responsáveis por cada um deles. Em seguida, o usuário deve baixar a conta telefônica no site da operadora e cadastrá-la no sistema. Ele irá identificar quem fez cada ligação e calcular o valor devido por cada um. “Falando, parece difícil, mas é bem simples”, conta Guilherme, que hoje trabalha em Campinas, na filial de uma das maiores empresas de informática do mundo.
Cálculo personalizado
Ele explica que o programa tem capacidade de fazer contas personalizadas, de acordo com a demanda de cada grupo. “Alguns moradores podem pagar mais aluguel que outros por dormir em um quarto maior ou menos por dividi-lo com mais pessoas. E é possível cadastrar essa diferença”, frisa. Esse recurso também pode ser utilizado, por exemplo, quando os estudantes resolvem dividir uma pizza ou uma corrida de táxi. “Se um pagou a conta dos outros, ele pode cadastrar o valor e o nome dos devedores no site para que essa conta não seja esquecida depois”, argumenta, ressaltando o sigilo dos dados.
O novo serviço poderá ter grande serventia para a universitária Marina Burity Francisco, 20 anos. Há três anos morando em Bauru, ela divide com mais quatro meninas um imóvel alugado na Vila Cardia. “Como cada uma fica responsável por pagar uma conta, sempre é necessário calcular quanto uma precisará pagar para a outra. Mas a conta mais chata é a do telefone, que a gente precisa anotar um por um”, afirma. Segundo Marina, antes de morar em república, nunca tinha se responsabilizado pelo pagamento dos gastos de uma casa. “É um pouco chato, mas, infelizmente, não tem como evitar.”
O próprio criador do projeto revela que decidiu criar o sistema por necessidade própria. Na época da faculdade, Guilherme dividia uma casa com mais 9 amigos e, na hora de organizar a divisão das contas, era sempre um problema. “Chegávamos a ter mais de 30 contas no mês e era trabalhoso chegar ao valor que cada um deveria pagar. Aí decidi inventar uma ferramenta para amenizar a parte chata de viver em grupo.”
Ao todo, foram quatro anos aperfeiçoando o projeto que, hoje, na avaliação de Guilherme, se tornou mais “didático e simplificado”, para que qualquer estudante, mesmo com pouco conhecimento em processamento de dados, possa utilizar. “Temos mais de 200 pessoas cadastradas e pelo menos 50 que usam o sistema com constância. Eu, por exemplo, ainda moro em república e já não me imagino pagando contas sem essa ferramenta.”. O site também disponibiliza gráficos e tabelas das contas relativas aos últimos 12 meses, o que estimula os estudantes a administrar melhor seus gastos.