09 de julho de 2026
Geral

Gripe leva Igreja a suspender abraço da paz e hóstia na boca

Por Maíra Soares | Com Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 8 min

Para evitar o possível contágio pelo Influenza A (H1N1), a gripe suína, a Diocese de Bauru suspendeu o abraço da paz e a entrega da hóstia na boca do fiel, dois atos litúrgicos tradicionais durante as missas. Os padres também estão orientados a recomendar que os fiéis não dêem as mãos uns aos outros na oração do pai-nosso durante a celebração e a retirar a água benta comunitária das igrejas que costumam oferecê-la aos visitantes.

A medida foi tomada pelo bispo dom Caetano Ferrari anteontem e é válida para as igrejas de Bauru e dos outros 13 municípios que compreendem a Diocese de Bauru. Em nota distribuída à imprensa, ele ressalta que se trata de uma medida de prevenção que vigorará pelo prazo necessário, até que a nova gripe seja debelada. A orientação foi repassada aos párocos, vigários, fiéis em geral.

Portanto, já na missa deste final de semana, os atos litúrgicos que envolvam contato pessoal estarão suspensos. Medida semelhante já havia sido adotada, na terça-feira passada, na Diocese de Santo André, na Grande São Paulo, e na quinta-feira pelo cardeal dom Odilo Pedro Scherer, arcebispo de São Paulo.

O bispo dom Caetano, que ontem estava viajando, não foi encontrado para dar mais informações sobre as alterações nos atos litúrgicos. Mas o padre Marcos Pavan, páraco da Catedral do Divino Espírito de Bauru, explicou que elas não devem alterar muito as missas. Até porque, ressalta, boa parte dos fiéis já costuma receber a hóstia Consagrada nas mãos - e não na boca.

E, dependendo da igreja, não há costume de os fiéis darem-se as mãos na oração do pai-nosso. “Mas a Igreja está atenta à gripe e adotou estas medidas por precaução”, ressalta Pavan. Como a gripe suína é transmitida por secreção – saliva, coriza -, colocar a hóstia diretamente na boca do fiel aumenta a chance de transmissão da doença.

Se o fiel estiver contaminado com a nova gripe, secreção com o vírus poderá passar para mão do padre ou ministro da Eucaristia que, além de se contaminar, poderá transmitir a doença a quem receber as próximas hóstias.

Suspeitos

O secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, informou ontem que mais uma pessoa foi internada no Hospital Estadual (HE) de Bauru com suspeita da gripe suína - Influenza A (H1N1). O paciente é um adulto residente em Bauru e sua situação clínica não requer cuidados em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Foi recolhido material para o exame comprobatório da doença.

A Secretaria de Saúde não havia recebido nenhum novo resultado de exame até ontem. Um dos adultos suspeitos, que estava em um hospital particular, teve grande melhora clínica e recebeu alta ontem. Segundo Monti, nos casos em que o paciente estiver bem não será necessário esperar o resultado do exame para liberá-lo para ir para casa.

Atualmente, existem quatro adultos internados: um, já com o diagnóstico positivo para a gripe suína, na UTI do HE, dois internados no mesmo hospital ainda aguardando o resultado do exame, e um internado em uma instituição particular também sem a confirmação da doença.

Além das pessoas internadas, cinco pacientes com síndrome gripal e fatores de risco para complicações permanecem em isolamento domiciliar monitorados pela Vigilância Epidemiólogica.

Monti afirmou ontem que há um pequeno indício de que o vírus esteja circulando na região. “Um dos casos registrados em Bauru não tem histórico de viagem ao Exterior ou contato com pessoas que estivessem com a doença, o que nós dá uma pequena noção de que o vírus estaria circulando na região”, diz.

Seis pessoas foram infectadas com gripe suína na cidade desde o início da pandemia mundial. Nos cinco primeiros casos, os pacientes foram tratados e obtiveram alta. O sexto caso é o rapaz com idade em torno de 20 anos que permanece na UTI do HE.

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Aumenta procura por máscara e gel

As lojas de produtos médicos que vendem máscaras cirúrgicas e as farmácias que vendem álcool em gel têm lucrado com a gripe suína - Influenza A H1N1. A venda destes produtos cresce a cada dia e em muitas lojas já não é possível encontrá-los.

De quatro lojas de produtos médicos consultadas pelo JC, todas registraram aumento nas vendas de máscaras e uma já não tinha o item no estoque. Em média, o produto custa R$0,25 a unidade.

“A gente vende por dia umas 250 máscaras. Antes a gente vendia no máximo uma caixa (que contém 50 unidades). O pessoal diz que está comprando por causa da gripe”, diz Gabrielle Cristine Rodrigues, vendedora de uma loja do ramo.

Aline Cristina Gonçalves, vendedora de outra loja, conta que o produto está em falta. “Já acabou o estoque, talvez venha só na próxima semana. Estamos com dificuldade até para fazer o pedido”, afirma.

Nas farmácias o movimento também é intenso. Muitos bauruenses estão comprando o álcool em gel, que custa em média R$ 8,00 um frasco com 50 gramas. “Chegou uma caixa (de álcool gel) com 23 unidades pra cada uma das oito lojas da rede por volta das 17h30. No final da noite já não tinha mais em nenhuma”, conta o gerente Robson Faustino.

O uso de máscaras é recomendado apenas para as pessoas que estão com a síndrome gripal. Não é aconselhável que todas as pessoas utilizem o produto. A utilização do álcool em gel, no entanto, é recomendável à toda a população.

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Escolas estaduais, municipais e particulares não alteram férias

Após uma reunião na tarde de ontem com o secretário municipal de Saúde, Fernando Monti, e com a diretora do Departamento de Saúde Coletiva (DSC), Heloísa Ferrari Lombardi, representantes das escolas municipais e particulares de Bauru decidiram manter o calendário escolar e retomar as aulas nas próximas semanas. Durante o encontro foram discutidas as medidas que serão adotas pelas instituições para fazer a prevenção da gripe suína, – Influenza A (H1N1).

“Não há evidências em Bauru que justifiquem o adiamento das aulas, mas a reunião foi muito boa e muito importante porque o setor da educação é um setor preocupado e que necessitava de informações de como proceder nesse início de aulas. Quanto mais setores da sociedade estiverem informados, melhor”, afirma o secretário.

A recomendação passada aos diretores e professores que lotaram o auditório do DSC foi o encaminhamento de alunos com síndrome gripal para casa e a orientação dos pais para que os levem ao serviço de saúde. Após análise médica, estes estudantes deverão permanecer em isolamento domiciliar por sete dias, no caso de alunos com mais de 12 anos, e por 14 dias para os demais. Trata-se de uma medida preventiva que visa evitar o contágio entre colegas e não significa que todos os estudantes que forem afastados das aulas estarão contaminados com o vírus da Influenza A (H1N1).

Cada escola também deverá tomar outras medidas preventivas de acordo com sua realidade diária, como, por exemplo, manter as janelas abertas, disponibilizar toalhas de papel no banheiro para secagem das mãos e usar copos descartáveis.

Gerson Trevisani, o Duda Trevisani, presidente do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo, afirmou que passará algumas orientações para as escolas particulares, dentre elas a distribuição de folderes explicativos sobre a gripe e as medidas preventivas que podem ser tomadas.

“Vamos vetar o uso do ar-condicionado nas salas de aula e manter as janelas abertas. Pretendemos instalar dispensers de álcool em gel próximos às cantinas e locais de alimentação, além de conscientizar os alunos da importância das medidas de prevenção”, diz Trevisani.

Como divulgado ontem, a rede estadual recebeu orientações sobre como lidar com a gripe na volta às aulas por meio de uma vídeo conferência via Internet realizada no último dia 8.

Os 8.912 alunos da rede municipal de ensino fundamental voltam às salas de aula na segunda-feira. Os 8 mil alunos do ensino infantil retornam no dia 3 de agosto. Na rede estadual, a data da volta às aulas depende do início das férias de 15 dias, a critério de cada escola. Mas, segundo a Secretaria de Estado da Educação, os 36.950 estudantes de Bauru devem voltar aos colégios nas próximas semanas. A rede particular de ensino mantém a volta às aulas para o dia 3 de agosto.

Sesi adia volta às aulas

Os 1.673 alunos das duas escolas de Bauru - Horto Florestal e Vila Santa Luzia - do Serviço Social da Indústria do Estado de São Paulo (Sesi) vão ganhar mais uma semana de férias por causa da gripe suína. Ontem, a direção do Sesi São Paulo anunciou que adiou para o dia 4 a volta às aulas para o segundo semestre, que estava prevista para a próxima terça-feira, nas suas 215 escolas no Estado.

A entidade, preocupada com o possível aumento da doença, está elaborando uma cartilha, voltada aos alunos e seus familiares, com orientações de como evitar a gripe e que será distribuída na volta às aulas. E a cartilha não ficou pronta a tempo de ser distribuída já na terça-feira. O diretor do Sesi de Bauru, Clóvis Aparecido Cavanaghi, explica que a medida é preventiva face ao quadro nacional da epidemia da gripe suína.

Na região, também terão férias prolongadas cerca de 600 alunos da escola Sesi de Agudos e outros 600 da escola da entidade de Pederneiras. Cavanaghi ressalta que os dias sem aula serão compensados posteriormente uma vez que o Ministério da Educação exige um mínimo de 200 dias letivo.