08 de julho de 2026
Geral

Cirurgia é principal arma de combate

Rodrigo Ferrari
| Tempo de leitura: 5 min

Atualmente, a cirurgia é considerada pelos especialistas como a técnica mais efetiva de combate ao câncer. Basicamente, o método consiste em remover uma parte de tecido sadio que envolve o tumor (denominada de margem de segurança), de modo a evitar que células cancerígenas permaneçam no organismo e voltem a se desenvolver.

Quando se pensa em um pequeno nódulo na pele, a coisa é até simples de se resolver. Quando se fala em um tumor que atingiu diferentes tecidos e órgãos, a situação se torna um pouco mais complicada.

“Dependendo da extensão do problema, a cirurgia pode deixar seqüelas em vários órgãos”, explica José Getúlio Martins Segalla, presidente a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica. Nem sempre a intervenção é feita com objetivo de curar a doença.

As cirurgias a que o vice-presidente José Alencar tem se submetido, por exemplo, servem muito mais para solucionar complicações advindas do câncer (a última foi para desobstruir o aparelho digestivo) do que para sanar o problema em si.

De acordo com Segalla, as chances de cura de um paciente aumentam se a doença for combatida logo em sua fase inicial. “Podemos dizer que o primeiro tratamento é a pedra filosofal para a cura do câncer”, explica.

É claro que, quando o assunto é câncer, “cura” se torna um conceito um tanto abrangente. Se uma pessoa tiver catapora uma vez na vida, nunca mais voltará a ter a doença. Por outro lado, se tiver uma neoplasia e conseguir se curar, nada impedirá que volte a ser vítima de do mesmo problema.

“Quando dizemos que um paciente está curado do câncer, queremos dizer, na verdade, que as chances dele voltar a desenvolver a doença são iguais às do restante da população”, afirma Segalla.

Em geral, os médicos só atestam que um paciente está de fato curado do câncer se ele passar cinco anos seguidos sem manifestar sinais da doença. Nos casos de tumores de mama ou de próstata, os especialistas utilizam como referência o período de dez anos.

Um dos métodos mais conhecidos de combate ao câncer, a radioterapia pode ser descrita como uma forma mais moderna da cirurgia. Em vez de bisturi, a técnica utiliza raios gama (radiação eletromagnética produzida pelo cobalto) para destruir as células cancerígenas.

Porém, como a técnica utiliza radiação, existe sempre um risco de que as células sadias sofram mutações, dando origem a novos tumores. As chances de isso ocorrer durante um tratamento não são pequenas, admite Segalla, que também é diretor de ensino e pesquisa da Fundação Amaral Carvalho, em Jaú.

“Algumas pessoas acham que isso é erro médico, mas estão enganadas. Na verdade, é um preço que se paga pela cura do câncer. É preciso lembrar, ainda, que muitas vezes a mutação causada pela radiação demora a surgir, a ponto de não ocasionar problemas ao paciente”, afirma o especialista.

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Caminho inverso

Os seres humanos se originam de uma estrutura microscópica denominada célula-ovo, que carrega em seu código genético todas as informações referentes ao indivíduo que está por vir. Essa célula, bem como as demais que se originam nessa primeira fase da gestação, é considerada “totipotente”, ou seja, tem condições de formar qualquer tipo de tecido (desde pele e sangue até os nossos ossos).

Porém, na medida em que o embrião se desenvolve, as células vão se especializando, a ponto de um tecido “maduro” ser completamente diferente dos demais. Quando a mutação que dá origem ao câncer ocorre, a célula perde essa capacidade de diferenciação e deixa de cumprir a função para qual foi programada.

Caso seja transportada pela corrente sanguínea para outra parte do organismo e ali encontrar condições favoráveis de sobrevivência, a tendência é que passe a se multiplicar de maneira desordenada. Quanto mais indiferenciada a célula for, maior será a sua capacidade de agredir outros tecidos.

“Em certos casos, a indiferenciação é tão grande, que os médicos nem conseguem saber de onde as células cancerígenas surgiram”, admite o presidente da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica, José Getúlio Martins Segalla, que também é diretor de ensino e pesquisa da Fundação Amaral Carvalho, em Jaú.

Quanto mais agressivo for um câncer, mais rapidamente ele irá crescer - e mais rapidamente poderá levar seu “anfitrião” à morte. Já nos caso dos nódulos menos agressivos, o indivíduo tem condições de conviver com o problema sem precisar enfrentar grandes complicações no dia-a-dia. “Alguns tumores (da próstata, por exemplo) já são encarados pela medicina como doenças crônicas, semelhantes ao diabetes, e não oferecem grandes riscos à vida do paciente, desde que controlados da maneira correta”, afirma Segalla.

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Voluntariado

Um dos fatores que colaboram para que os pacientes de câncer consigam enfrentar a doença com relativa qualidade de vida é o trabalho de voluntários que atuam em entidades de apoio, caso da aposentada Carmem Maria Cabral, 70 anos, que colabora com a Associação Bauruense de Combate ao Câncer (ABCC) há 30 anos.

“Esse trabalho me faz muito bem. É bom poder ajudar quem precisa”, pensa ela, que atualmente ministra aulas de artesanato, na entidade. A assistente social da ABCC, Gilséia Peres considera a participação dos voluntários vital para a recuperação dos pacientes. “Eles é que conseguem identificar a individualidade de cada caso que atendemos”, avalia.

Na Fundação Amaral Carvalho, em Jaú, esse trabalho também é encarado como fundamental. Pesquisa realizada pelo Registro Hospitalar de Câncer (RHC) da entidade aponta que os voluntários não apenas apóiam os doentes em termos psicológicos, mas também ajudam a aumentar as chances de cura dessas pessoas. O estudo descobriu que os pacientes têm até 11,6% a mais de chances de cura em cidades onde existem voluntários de câncer.

“Quando uma pessoa se submete a tratamento, muitas vezes precisa seguir tomando remédios e suplementos alimentares ou mesmo utilizar equipamentos hospitalares, que nem sempre são fornecidos pelo poder público. Os voluntários fazem justamente esse trabalho de arrecadar aquilo que o paciente necessita ou então de fazer com que os serviços públicos de saúde prestem assistência necessária a esses indivíduos. Tudo isso exerce um papel essencial na recuperação do doente”, explica a coordenadora de assistência social da Fundação Amaral Carvalho, Vanessa de Moraes.

Atualmente, a entidade conta com 220 voluntários e atende a 200 pacientes ao mês, em média. Na ABCC, são realizados mais de 530 atendimentos mensais. A entidade, que integra a rede socioassistencial do município, completará 29 anos este mês.