Com problemas de saúde e depressão, Elza Scarelli Lopes procurou seu médico e voltou para casa com a recomendação de procurar o mais rápido possível uma entidade para atuar como voluntária. Essa história aconteceu há mais de 28 anos e ainda hoje, mesmo depois de recuperada, ela não abre mão do trabalho voluntário.
Esse foi o caminho que levou Elza até o voluntariado, mas certamente, centenas de pessoas começaram sua trajetória em busca de resolver problemas pessoais, de ordem emocional ou de saúde. “Além de encontrar aqui a solução para os meus problemas, encontrei também uma maneira de ser útil. Encontrei a saúde no voluntariado e, hoje, meu trabalho também é a esperança de muita gente”, comenta.
Já Maria Aparecida de Castilho Guimarães, que junto com Elza também é voluntária no Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac), conta que foi a vontade de ajudar que a aproximou do trabalho voluntário há dois anos. “Essa doação que existe no voluntariado ajuda muito a gente”, afirma.
No Ceac, muita gente chega sem saber o que realmente quer fazer, apenas com desejo de ajudar. A entidade promove um curso para orientar os candidatos em que, além descobrirem a melhor forma de colaborar, também aprendem sobre as regras que norteiam o trabalho voluntário.
De acordo com Anunciata dos Santos Crepaldi, diretora do Ceac, muitas pessoas desistem do trabalho voluntário pela falta de orientação de onde e em que tipo de serviço melhor se encaixam. Ela também esclarece para quem deseja se oferecer como voluntário - em qualquer entidade - que a pessoa não precisa freqüentar a entidade a semana toda ou mesmo o dia todo. “Na verdade, a pessoa assume um compromisso que pode ser de um dia ou de algumas horas num determinado dia da semana”, explica.
Dalva Gonçalves Milagne, voluntária há dez anos, conta que começou a trabalhar nessa área apenas na intenção de doar um pouco do seu trabalho em benefício do próximo. Ela trabalha junto com outras voluntárias na casa de costura do Ceac.
No local, todas as roupas doadas são revisadas pelas costureiras para que todos os reparos possam ser feitos. Além de consertar as roupas, elas também fabricam os pijamas utilizados pelas pessoas que procuram o albergue mantido pela instituição. “Aqui a gente trabalha conversando com as demais voluntárias. É uma terapia de vida o trabalho voluntário”, afirma.
Seja por um motivo ou por outro, a maior parte das pessoas que passam a ser voluntárias em uma entidade ou mesmo adotam uma causa afirma que o retorno pessoal é muito grande. “A gente entra nesse negócio de trabalho voluntário para ajudar, mas na verdade, quem mais ganha somos nós mesmos”, afirma Crepaldi.
Mesmo sendo o trabalho voluntário gratificante, como todos afirmam, algumas pessoas começam a fazer isso sem motivo e deixam de comparecer à entidade escolhida. Isso atrapalha bastante o trabalho de atendimento no local. A diretora do Ceac orienta as pessoas que desejam ingressar no voluntariado para que procurem servir em entidades próximas de sua residência e que apenas se ofereçam se tiverem condições de cumprir o combinado.
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A arte em favor do voluntariado
Ajudar indiretamente. Alguns profissionais colaboram voluntariamente com pessoas assistidas pelos bairros da cidade com o seu talento. Alguns artesãos confeccionam produtos que serão comercializados e o dinheiro arrecadado é revertido para atender as mais diversas causas.
Eles produzem tapetes, enfeites para casa, utensílios para o lar. Em um pequeno ateliê, diversos artistas dedicam algumas horas de trabalho para pintar, bordar e produzir diversos objetos que são comercializados diariamente pelos funcionários do Centro Espírita Amor e Caridade (Ceac) ou na Feira da Bondade realizada todos os anos em Bauru, onde diversas entidades participam na intenção de conseguir receita para dar seguimento ao trabalho de atendimento as pessoas.
Quadros, enfeites e arte em vidro. Vale a criatividade inclusive para reaproveitar alguns produtos e transformá-los em enfeites para casa. O dinheiro arrecadado com a venda desses produtos, que em geral são comercializados a preços bastante acessíveis, é transformado em roupas, remédios e alimentação, que garantem o atendimento e o bom serviço das entidades.
Luciane do Nascimento, Nilze Jardim e Telma do Amaral são algumas das artesãs que dedicam voluntariamente um pouco do seu tempo e talento para produzir diversos produtos que serão comercializados pela entidade. De acordo com a direção do Ceac, a entidade conta com diversos artistas que emprestam um pouco do seu talento em benefício do próximo.
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Era uma vez
Você já pensou em ser voluntário para contar histórias? Está enganado quem pensa que apenas crianças gostam de ouvir histórias. A Secretaria do Estado da Saúde tem utilizado esse artifício para ajudar na recuperação de idosos internados em hospitais.
Brincadeiras, jogos e histórias que em geral ficavam restritas às alas ligadas à pediatria, começam a ganhar espaço também na geriatria. Por enquanto o trabalho tem sido feito por profissionais contratados pela secretaria, mas nada impede que voluntários comecem a colaborar.
A idéia na verdade é fazer “passar o tempo” e amenizar a internação. Em geral, as pessoas que ficam muito tempo hospitalizadas passaram por cirurgias e não podem sair de seus leitos. Os profissionais que trabalham contando histórias também ouvem muitas histórias de vida.
Quem se habilitar para contar histórias também deve estar preparado para ouvi-las. Quem quiser atuar voluntariamente nessa área deve procurar os hospitais ou casas de saúde para verificar a possibilidade de começar a atuar na entidade.
A secretaria explica que a idéia é contar para as pessoas idosas desde livros como “O Pequeno Príncipe” até obras de escritores que dedicaram sua obra literária para os adultos. Contar histórias para crianças, jovens e adultos hospitalizados, seja em recuperação ou à espera de algum procedimento cirúrgico, é uma prática que ganha cada vez mais força nas grandes cidades, mas pode perfeitamente ser transportada para a realidade de cidades do Interior, como Bauru. Na Capital, o Hospital das Clínicas (HC) adota com sucesso esse tipo de terapia junto aos seus pacientes.
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Na rede.com
Apesar do computador estar presente no dia-a-dia de milhões de brasileiros, muita gente, principalmente os mais carentes e idosos, nunca teve contato com o mundo virtual. Aparecida do Carmo Albrantese, 66 anos, teve o seu primeiro contato com o computador através do trabalho voluntário de uma amiga de sua neta. “Eu via ela mexendo nele, mas nem imaginava o que se podia encontrar”, conta.
Aparecida conta que, uma vez por semana, a sua instrutora vai até sua casa e dedica uma hora para ensiná-la a desvendar os mistérios do computador. “Já estou aprendendo a escrever nele. É como se eu estivesse voltando para a escola”, diz.
Assim como ela, jovens, adultos e idosos têm o primeiro contato com o mundo oferecido pelo computador por meio de trabalhos voluntários realizados por anônimos ou entidades que atuam nos mais diversos bairros da cidade.