09 de julho de 2026
Internacional

Greve na África do Sul eleva pressão sobre Zuma


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Cidade do Cabo - Uma greve de cerca de 150 mil funcionários públicos na África do Sul prejudicou ontem serviços básicos como transporte, eletricidade e coleta de lixo, aumentando a pressão sobre o governo do presidente Jacob Zuma, que foi alvo de uma onda de violentos protestos de rua na última semana.

A greve é vista como uma disputa de forças entre o governo de Zuma - que assumiu em maio - e os sindicatos de trabalhadores, que o apoiaram na eleição e agora pressionam por mais gastos sociais e aumentos salariais de 15% como forma de compensação pela crise e a inflação, responsáveis pela primeira recessão do país em 17 anos.

A ajuda aos pobres foi uma das principais promessas de campanha de Zuma. Ontem, um grupo de 5 mil trabalhadores marchou pelas ruas de Johannesburgo, alguns vestindo camisetas que diziam “lutando para sobreviver” e deixando pilhas de lixo pelas ruas. Protestos semelhantes ocorreram em Pretória e Cidade do Cabo. Na cidade de Polokwane, no norte do país, a polícia reprimiu os manifestantes com balas de borracha.

Em resposta, o partido governante, Congresso Nacional Africano (CNA), disse que “a desordem ou a violência não resolverão disputas salariais”. A população, enquanto isso, enfrentou problemas para usar os já deficientes serviços públicos -centenas de passageiros ficaram a pé no polo de negócios de Johannesburgo quando os ônibus pararam de funcionar.

Dale Forbes, representante de um dos sindicatos em greve, disse à BBC que acreditava que a população apoiará a paralisação. “Eles [cidadãos] querem ver mudanças dramáticas nos serviços prestados - o que deve começar com melhorias nas condições dos trabalhadores.” Outro dirigente disse que a paralisação não tem data para acabar.

Impulsionadas por movimentos sociais formados no pós-apartheid, as manifestações em bairros pobres sul-africanos foram motivadas pela deficiência em serviços essenciais e desemprego. Ainda que o fim da segregação institucionalizada tenha feito emergir uma classe média negra, o país não conseguiu superar a desigualdade e a concentração de renda cresceu 10% em relação ao período do apartheid (1948-1994).