Rio - O corte de cinco pontos percentuais na taxa básica de juros (Selic) desde dezembro do ano passado já está mostrando efeitos positivos na economia, sobretudo no que diz respeito ao crédito e às contas públicas, mas resultados mais efetivos sobre o mercado de trabalho e os investimentos só deverão chegar a partir do final deste ano, avaliam economistas.
O economista da Unicamp e ex-diretor de política econômica do Ministério da Fazenda, Julio Sergio Gomes de Almeida e o economista da Confederação Nacional do Comércio (CNC) e ex-diretor de política monetária do Banco Central, Carlos Thadeu de Freitas, apontam a irrigação do crédito à pessoa física como efeitos mais claros, até o momento, da queda da Selic e esperam para os próximos meses uma reação mais forte do crédito para as empresas.
Gomes de Almeida lembra que os canais de transmissão do corte dos juros para a economia real estão limitados por causa da crise internacional, mas já há efeitos sobre o consumo - via crédito - e nas expectativas dos consumidores e empresários. “Por enquanto os bancos estão privilegiando o crédito ao consumidor, já que ainda há uma percepção de risco de inadimplência em relação às empresas”, explica.
Segundo ele, o crédito às famílias não está retornando apenas via juros básicos, “mas esse é um fator fundamental”. A expectativa de Gomes de Almeida é que, exceto no caso de a inadimplência das empresas apresentar deterioração, a tendência é que o crédito à pessoa jurídica vá retornando a níveis anteriores ao longo deste segundo semestre. Segundo ele, é possível que até o final deste ano “o nível de crédito retorne ao patamar pré-crise”.
Mais confiante
A confiança do consumidor brasileiro é uma das que mais cresceram no mundo entre março e junho, colaborando para o aumento do índice global. Com o avanço, o índice de confiança do Brasil é o quarto mais alto em uma lista de 28 países - era o sétimo na pesquisa anterior.
O índice de confiança do brasileiro cresceu oito pontos do primeiro para o segundo trimestre, para 96 pontos. Só países asiáticos como Índia, Japão e Coréia do Sul obtiveram aumentos maiores. Esse salto também permitiu que o Brasil ficasse atrás apenas de Indonésia, Índia e Filipinas na lista dos consumidores mais confiantes, segundo pesquisa da Nielsen. Ainda assim, a nota do país não recuperou as perdas do levantamento anterior, quando caiu 15 pontos.
Para Jonathan Banks, diretor da Nielsen, um dos motivos que explicam o crescimento na confiança do brasileiro é a alta nos mercados financeiros (a Bovespa subiu 37% no primeiro semestre deste ano). “Notícias econômicas positivas e o crescimento do otimismo do consumidor nos últimos meses fizeram com que as pessoas nesses mercados passassem a acreditar que a recuperação econômica vai vir mais cedo do que o imaginado.”