10 de julho de 2026
Articulistas

Ostracismo para o Congresso

Andreia Lima Hernandes Barbosa
| Tempo de leitura: 3 min

Todos os dias temos notícias sobre a corrupção no cenário político do Brasil e nos deparamos com os fatos e junto surgem os políticos revoltados, inconformados com as fraudes que almejam justiça e exigem providencias urgentes transmitindo à sociedade a distância dessas raposas felpudas, como se nada soubessem das práticas ilegais dentro do Congresso Nacional. Mas por que essas posturas nunca ocorrem antes das fraudes? Será que é devido a um comportamento de omissão ou talvez de ação? Os justiceiros sempre aparecem quando a opinião pública é afetada negativamente.

E todo esse desgaste possibilita a descrença e o desinteresse do povo, expectadores aguardando os próximos capítulos, como se estivêssemos assistindo a uma novela mexicana. Não vai demorar muito serão criadas as CPIs, que sabemos que não concluirão nada. No entanto, nosso presidente da República vai na TV e diz que Sarney não deveria ser tratado como uma pessoa comum. E eu concordo. Não só ele mas todos os eleitos pelo povo para a representaçao na administração pública após o sufrágio. Esses devem ser tratados com mais severidade e não deveriam continuar com essas mamatas ao minimizarem as corrupçoes internas do Senado, como, por exemplo, os atos secretos geradores da última crise do Congresso, considerada pelo presidente apenas como uma divergência entre os senadores.

A deficiência está nas pessoas despreparadas para o poder, que, através dos seus atos, suas atitudes contrárias à ética, moral e Justiça, afetam diretamente a um povo e consomem a legalidade do País em benefício do jogo político do poder. Se voltássemos à época das instituições democráticas gregas, poderíamos nos utilizar do ostracismo, votaçao anual para a exclusão e perda dos direitos políticos por 10 anos para aqueles que ameaçarem as instituições democráticas e todos aqueles que contribuirem para a corrupção da política, ficando os seus bens à disposição do Estado.

Ora, queremos mudanças no País, mas não queremos mudar a postura conformista e distante do cenário político, isentando-nos das responsábilidades de cobranças efetivas de governabilidade voltadas aos direitos fundamentais das condições de igualdade dos homens, pois nos deparamos com os resultados de administrações medíocres que nos refletem a disparidade social, como os valores dos seus subsídios e dos beneficios para seus cargos.

Um país governado por representantes do povo num Congresso Nacional, constituídos por três poderes, onde um fiscaliza o outro com suas funções típicas e atípicas, e mesmo assim nos deparamos com todo tipo de corrupçao. Mordomos com salários de R$12.000 mil, reformas de cozinha superfaturadas, tratamentos cirúrgicos como, por exemplo, cirurgias plásticas de correção, etc, etc. Tanto desmaselo com o erário e pessoas morrendo na fila do SUS, aguardando cirurgias para poder viver. Famílias não vivem, elas sobrevivem com o salário mínimo, que realmente é muito mínimo e esperam apenas em Deus.

Somente a força da sociedade civil tem o poder de mudar essa história, através da soberania popular, pois é visível a necessidade de transformações profundas para que o Brasil não esteja fadado à corrupção. Com certeza, essas mudanças não partirão deles. É necessário o fim da República de impunidade. A verdade é: para existir essa transformação é imprescindível que se abra a caixa preta do Congresso, para que os corruptos e peculatários, donos de palácios faraônicos, sejam punidos de forma exemplar, rígida e justa. Todos devem ser tratados de forma igual, mas tal qual com as suas diferenças, principalmente aqueles que assumiram ser fiéis no controle do País e, ao invés disso, sujaram a imagem da justiça do Brasil em prol dos seus próprios interesses.

A autora, Andreia Lima Hernandes Barbosa, é estudante de direito do Iesb/Preve e colaboradora do JC