O mau cheiro e a poluição do rio Bauru já não causa mais estranheza aos bauruenses, mas quem passou pela avenida Nuno de Assis ontem ficou surpreso com o que viu. O curso d’água, normalmente de coloração marrom, estava “pintado” de um vermelho intenso.
Técnicos do Departamento de Água e esgoto (DAE) estiveram no local por volta das 16h e constataram vestígios de tinta oriundos da rede de esgoto que teriam sido descartados por uma empresa de confecções instalada no Jardim Pagani. De acordo com a autarquia, a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) em Bauru será informada sobre o problema e deverá autuar a empresa responsável pelo dano.
No final da tarde de ontem, no entanto, fiscais do órgão também estiveram no local, mas não conseguiram esclarecer a origem da água vermelha. “Nós verificamos todas as bocas da tubulação, mas já não havia mais indícios de lançamento dessa água colorida”, frisa o técnico ambiental Adelino Ribeiro Junior.
Segundo ele, quando pigmentos são lançados através da tubulação, fica difícil esclarecer o responsável pela degradação do rio, já tão poluído. Mas afirma que a Cetesb irá avaliar possíveis prejuízos ambientais e as providências a serem tomadas.
O inusitado vermelho que se alastrou por uma grande extensão do rio Bauru intrigou os transeuntes, que entraram em contato com o JC. As fotografias enviadas por eles e as que também foram registradas pelos profissionais do jornal pareciam ter sido modificadas por programas de manipulação de imagens.
“Foi uma cena realmente surpreendente. Um senhor que estava ao meu lado disse que estava correndo vinho no rio Bauru, de tão vermelha que estava sua água”, relata o fotógrafo e cinegrafista Adauto Nascimento. Por volta das 13h, ele passava pelo viaduto Mauá e afirma que, além da cor alterada do rio, o odor adocicado de xarope utilizado em indústrias alimentícias era forte, ao contrário do que os técnicos do DAE e da Cetesb puderam verificar.
“O cheiro era de alimento, como se o rio tivesse virado um refresco de morango ou framboesa”, lembra.
Há duas semanas, fato semelhante ocorreu no córrego que corta o Jardim Guadalajara e deságua no rio Bauru. O curso d’água ficou azul devido ao despejo de corante por parte de uma empresa gráfica instalada nas imediações.
Técnicos do DAE, que estiveram no local, receberam a informação de que os resíduos eram lançados na galeria de águas pluviais porque não há rede de esgoto naquela área restrita. Diante da situação, a autarquia notificou a Cetesb, que irá advertir a empresa e cobrar a adequação do descarte do corante.
“Ela não será multada, mas terá de tratar esses efluentes e eliminar o volume de água com tinta despejado no córrego”, frisa Ribeiro Junior.