Proprietária de uma escola infantil em Bauru, Juliana Camargo Paiva, 24 anos, passou cerca de duas horas dirigindo sob a mira de um revólver, anteontem à noite. Ela foi rendida por um homem encapuzado quando tentava estacionar o carro na garagem de casa, situada na quadra 2 da alameda Verbenas, na Vila Formosa. Foi obrigada a seguir até Analândia (a 166 km, na região de São Carlos), onde o homem desembarcou depois que a luz de óleo do veículo acendeu.
Quando ele ordenou que parasse o Polo Classic de cor branca, Juliana cogitou a possibilidade de ser morta. Garantiu ao JC que foi a pior situação que já vivenciou. O pesadelo começou logo após o expediente, conta. Ela e o marido (o representante comercial Luiz Roberto Caminha Sentinare), cada qual com seu respectivo carro, voltariam para casa. Juliana, no entanto, o informou que levaria uma funcionária para casa, como faz freqüentemente. Ele, por sua vez, a avisou que passaria na padaria.
Ao chegar no endereço do casal, a proprietária da escola constatou que o marido ainda não estava no imóvel. Por conta da escuridão da garagem, teve dificuldade em estacionar seu veículo. O deixou ligado, acendeu as luzes da casa, voltou ao automóvel, deu ré e o estacionou na rua. Decidiu, então, ligar para Luiz Roberto com o intuito de pedir que manobrasse o Polo Classic quando chegasse. Enquanto fazia a ligação, por volta das 19h30, o homem encapuzado entrou no veículo pela porta do passageiro, que estava destravada.
Imediatamente, ele disse para levá-lo até o local que pedisse. Ordenou que pegasse a rodovia no sentido Pederneiras. Com a arma apontada ininterruptamente para o corpo dela, passaram por Jaú. Na cidade, o homem a mandou seguir sentido Brotas. Durante toda a viagem, ambos mantiveram-se em silêncio, relata a refém. “Fiquei desesperada, tremia bastante. Ele só falou para eu não dirigir a menos de 100 quilômetros por hora”, informa.
No trajeto, Juliana notou que um outro veículo os acompanhava, embora não saiba descrevê-lo. “Era um farol muito alto. Eu deixava ultrapassar, mas não ultrapassava”, relembra. Nas imediações de Analândia, a luz de óleo do carro acendeu. Por conta do alarme, o clima ficou ainda mais tenso. Após passar o trevo de acesso à cidade, o criminoso mandou que ela parasse o veículo. Depois de desembarcar, ordenou que fosse embora.
Ao pegar a rodovia no sentido contrário, entrou em Analândia e logo encontrou uma viatura da Polícia Militar. Ao parar os policiais, informou o ocorrido e fez contato com a família para avisar que estava bem. No trajeto, várias ligações aos três telefones dela foram feitas. Por conta da situação, o homem encapuzado abriu sua bolsa, a vasculhou e encontrou um envelope com R$ 350,00 da escola. Ficou com ele. Por essa razão, o caso foi registrado em Analândia como roubo consumado.
Ontem, a ocorrência foi remetida a Bauru para a Seção de Investigação Geral do 2.º Distrito Policial e à Delegacia de Investigações Gerais (DIG), que vão apurar a ocorrência. O irmão e o marido de Juliana foram buscá-la em Analândia. Chegaram em casa por volta das 3h de ontem. “Ainda estou muito cansada”, comentou no início da entrevista. Pelo menos, não sofreu qualquer agressão física e já está na companhia da família. Juliana tem um filho de 7 anos.
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Estranheza
Conforme o JC publicou com exclusividade, o sumiço de Juliana Camargo Paiva começou a ser investigado logo após o marido dela chegar em casa, encontrar o portão da garagem aberto e as luzes acesas. Inicialmente, o representante comercial Luiz Roberto Caminha Sentinare pensou que ela pudesse estar na casa da mãe, em frente do imóvel do casal. Mas confirmou com a sogra que Juliana não havia passado por lá.
Preocupado com o atraso da mulher, tentou contato telefônico por diversas vezes. Depois de tentar localizá-la na escola infantil da qual é proprietária, ele acionou a Polícia Militar, que passou a buscar informações em hospitais e unidades de saúde, além de realizar diligências em caixas eletrônicos, além de agências bancárias de onde Juliana é correntista.
Pela dificuldade em encontrar a vítima no perímetro urbano de Bauru, o Policiamento Rodoviário também foi acionado. Por volta das 22h, no entanto, Juliana ligou para o marido e para a mãe, dizendo que estava bem. O caso foi considerado incomum pelo titular do 2.º DP, Roberto Terraz. “Especialmente nesta região”, comenta.
Ele investigará todas as possibilidades assim como o titular da DIG, Carlos Alberto Gomes da Rocha Silva - para quem o caso também recebeu a mesma classificação (incomum) para ocorrências de roubo.