09 de julho de 2026
Regional

Ladrões roubam dois caminhões e levam as cargas de óleo e pneu

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 4 min

Cabrália Paulista - Dois caminhoneiros foram roubados na madrugada de ontem na região de Palmital. Os dois foram abandonados, cerca de três horas depois, no município de Cabrália Paulista. Os ladrões desbloquearam o sistema de rastreamento e levaram os dois caminhões e uma carga de mil pneus avaliada em cerca de R$ 200 mil e de óleo diesel, avaliada em R$ 44 mil.

As duas vítimas que, por questão de segurança tiveram suas identificações preservadas, não sofreram agressões físicas, mas as marcas emocionais ficarão para sempre. Ambos disseram que querem desistir da profissão, porque se sentiram humilhados e impotentes diante da criminalidade.

O condutor do caminhão Iveco, placas MEM 1051/Itajaí, está na estrada há 25 anos e nunca tinha passado por situação semelhante. “Sempre fui cauteloso. Não paro em qualquer lugar, prefiro postos de combustíveis onde os caminhoneiros costumam dormir.”

Ele conta que saiu do Espírito Santo no último domingo para levar uma carga de pneus, cerca de 14 mil quilos de tamanhos variados, aproximadamente mil pneus, para Apucarana no Paraná. O crime ocorreu na noite de segunda-feira, por volta das 19h, quando parou no Posto Rota Sul, Raposo Tavares, região de Palmital.

O veículo rastreado por satélite foi bloqueado pelo sistema para que o motorista dormisse. “Eu durmo no interior do caminhão, onde tenho uma cama. Eu já tinha dormido um bom sono quando fui surpreendido por três desconhecidos que estouraram o vidro e armados me renderam.”

O condutor conta que a ação foi super rápida, o que remeteu a profissionais. “Com o bloqueamento, o veículo não funciona. Mas eles chegaram e rapidamente desbloquearam o caminhão. Eles pediram para que eu não reagisse que o que interessava era o caminhão e a carga.”

O motorista ficou com as mãos amarradas e deitado de rosto para o chão no caminhão. “Eles estavam encapuzados e armados. Depois que se apossaram do meu caminhão, foram para o camionheiro do lado que tinha a carga de óleo diesel.”

A mesma ação foi repetida contra o motorista do caminhão de combustível. Ele também foi amarrado e colocado de rosto virado para o chão. Os ladrões tomaram a direção e trafegaram por algum tempo que as vítimas não souberam precisar, por conta do estresse que enfrentaram.

Próximo de Cabrália Paulista (45 quilômetros de Bauru), os quadrilheiros abandonaram as vítimas em uma plantação de eucalipto. Dois bandidos ficaram com eles. “Nós fomos levados para dentro da plantação. Ficamos deitados, já sem as amarras e dois deles ficaram vigiando a gente. Ainda estava escuro.”

Quando o dia começou a amanhecer, os ladrões se aproximaram das vítimas e comunicaram que elas poderiam ir embora, após uma hora. “Eles falaram para gente contar mais ou menos uma hora e depois ir embora.”

Suspeita-se que a liberação das vítimas tenha acontecido após as cargas serem “desovadas” em algum local. Há esperanças de que os caminhões sejam abandonados, após o roubo da carga, situação costumeira.

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Motorista diz que ficou apavorado

O caminhoneiro de Espírito Santo diz que nunca se sentiu tão impotente. As armas o amedrontou de tal maneira que ele não pretende continuar na profissão. “Eu pedia a Deus para não ser agredido. Eles avisaram que se a gente cooperasse, eles não dariam um único tiro. Acredito que eles sejam profissionais.”

O motorista confessa que no tempo que passou deitado debruços no meio da plantação de eucalipto não teve coragem nem de matar uma formiga. “Eu me sentia tão impotente que uma formiga se aproximou e eu assoprei para ela ir embora. Não tive coragem de me mexer. A qualquer momento, eles poderiam disparar uma arma.”

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Quadrilha agiu rápido no roubo

A ação rápida e profissional leva a crer que foi promovida por uma quadrilha especializada em roubo de carga. Os 14 mil quilos de pneus, cerca de mil unidades de modelos variados, vale no mercado aproximadamente R$ 200 mil e 44 mil litros de combustível, algo em torno de R$ 44 mil.

O que intriga as autoridades são os receptadores. Segundo um especialista em combustíveis, essa quantidade não é descarregada em posto que tem um reservatório com capacidade máxima de 20 mil litros. Ele contou que as quadrilhas agem com receptadores certos e o óleo diesel foi para alguma grande rede de distribuição. Só elas têm reservatórios com capacidade suficiente.

Um caminhão com todos os acessórios para transporte de combustível vale hoje, pelo menos R$ 350 mil. Os pneus, nessa quantidade, também têm que ser recebido num depósito bastante grande, possivelmente um distribuidor.

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“As piores horas de minha vida”

O motorista do caminhão de óleo diesel, um Mercedes, modelo 1928, placas CQH 7852/MS, está traumatizado. Há três meses quando estava com o caminhão vazio quase foi vítima. “Eles não levaram porque estava vazio, mas assaltaram um colega e eu assisti. Desta vez, eles concretizaram o crime e eu não quero mais ser caminhoneiro. Não vale a pena ficar sob a mira de uma arma. Foram as piores horas de minha vida.”

Ele lembra que o trio de assaltantes estava fortemente armado. “Dois deles portavam revólveres e um deles, uma espingarda.”

Na opinião dele, os ladrões eram profissionais. “Eles agiram muito rápido. Eu estava transportando diesel, 44 litros de Paulínia para Campo Grande.